Cultura

O amor bandido de Bonnie e Clyde

O casal de gângsteres que aterrorizou os EUA tem as suas cartas reveladas em livro, oito décadas após a sua morte

O amor bandido de Bonnie e Clyde

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HISTÓRIA
Clyde e Bonnie em uma de suas fugas: o casal gostava de fotos

Os atores Warren Beatty e Faye Dunaway imortalizaram no cinema a história de crimes e amor de Bonnie Parker e Clyde Barrows, o mais famoso casal de gângsteres dos EUA, que na década de 1930 assaltou bancos, matou policiais (e não policiais) e mobilizou os órgãos de segurança americanos numa caçada sem precedentes – durou dois anos e terminou com a execução de ambos, 50 tiros em cada um, a provar que o glamour do banditismo  que se vê nas telas são corpos desfigurados de chumbo na vida real. O filme “Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas” (1967) se inspirou nessa história verídica, acrescentou-lhe charme e o tal glamour e contribuiu para mitificar a trágica trajetória desses dois jovens criados no Texas durante a grande depressão econômica e que embarcaram numa viagem violenta, apaixonada e suicida. Viagem sem volta e que eles sabiam, como falavam entre si, que acabaria em dois cês: “cage and coffin” (cadeia ou caixão). Passaram-se 75 anos e somente agora os arquivos referentes ao caso foram abertos pelo FBI, e neles há centenas de cartas trocadas por Bonnie e Clyde. É a partir desses documentos que o autor americano Paul Schneider escreveu “Bonnie & Clyde – A Vida por trás da Lenda”, livro que acaba de desembarcar nas livrarias  brasileiras.

Lúcida e fundamentada em fatose não em lendas, a obra nos dá uma descrição crua e realista de seus personagens. Ela mostra, por exemplo, os efeitos que uma das prisões teve sobre Clyde. Ele foi vítima de abusos sexuais e matou quem o violentava (atribui-se a essa violência a sua impotência sexual). Feriu-se gravemente e fugiu, mesmo claudicando irreversivelmente da perna direita. Também a charmosa Bonnie do cinema em nada lembra a figura doentia que surge na obra – ela nem sequer conseguia caminhar sozinha quando foi morta. Um outro livro, menos realista e lançado na Espanha, reúne a correspondência do casal. Chama-se “Wanted Lovers – As Cartas de Amor de Bonnie & Clyde” e reproduz o poema escrito por Bonnie, inspirador da canção francesa que leva o nome deles (composta por Serge Gainsbourg e gravada Brigitte Bardot em 1970). A história desse amor bandido personificado pela pequena Bonnie (ela tinha 1,46 metro de altura) e seu amante, movidos a muita adrenalina, continuará no cinema. A atriz Hillary Duff vai interpretar a personagem ao lado de Kevin Zegers em produção que estreia ainda esse ano.

TRECHOS DAS CARTAS

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“Estou só e triste, te quero mais que minha própria vida. Se você ficar mais tempo preso me tornarei tão louca quanto uma rata de manicômio.”
De Bonnie para Clyde (março de 1930)

“Minha linda e doce esposa, também me sinto terrivelmente triste e só. Como vai o trabalho? Algum bêbado passou dos limites com você? Se acontecer, anote seus nomes porque eu não vou passar toda a minha vida nesse casebre”
De Clyde para Bonnie (sem data)