Medicina & Bem-estar

Os Próximos Desafios De Hebe Camargo

Como funcionam os remédios de última geração que ajudarão a apresentadora na luta contra o câncer

Os Próximos Desafios De Hebe Camargo

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ALTA
Hebe manteve a simpatia ao deixar o hospital, na quarta-feira 20

Na quarta-feira 20, a apresentadora Hebe Camargo, 80 anos, chamou mais uma vez a sua cabeleireira e seu maquiador ao Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Estava aliviada porque poderia afinal voltar para casa depois de 12 dias de internação. Mesmo assim, não arredou o pé do hospital antes de estar bem penteada, maquiada e com joias. Em um curto espaço de tempo, Hebe, uma das personalidades mais importantes da televisão brasileira, foi diagnosticada, operada e deflagrou sua batalha pessoal contra um tumor raro de peritônio, uma membrana que reveste a cavidade abdominal e cada um dos órgãos dessa região. Na saída, ao lado do filho, Marcello, ela posou para os fotógrafos, sorriu e entrou rapidamente no carro. “Ela estava com muita saudade de casa e queria ir embora”, disse o sobrinho Cláudio Pessutti à ISTOÉ. Um dia antes da alta, Hebe deu mostras da atitude positiva que está mantendo diante do câncer. Ao autografar um livro de fotos de sua carreira, festejou o novo ano escrevendo um VIVA 2010!! O livro “Hebe – A Trajetória de uma Estrela”, contendo imagens desde os tempos da juventude como cantora contratada pela Rádio Tupi, chegou às mãos de seu sobrinho Pessutti, que estava dentro do quarto de Hebe, por um segurança de ombros largos e ar cansado postado à entrada da suíte dupla 379, que a apresentadora ocupou na ala leste do terceiro andar do hospital.

A entrada do setor, do lado direito dos elevadores, também era protegida por outro segurança. A fase que começa agora é decisiva para Hebe. Ela tem pela frente cinco sessões de quimioterapia, com intervalos de 21 dias. Em aplicações com duração de quatro a seis horas, receberá, por infusão na veia, os quimioterápicos carboplatina e paclitaxel. “Apesar de não serem drogas novas, são o que existe de mais eficiente contra esse tumor. Ainda não se descobriu nada melhor”, diz o oncologista clínico Sérgio Simon, responsável pela equipe médica. Ele frequentou o quarto de Hebe três vezes por dia, em média, durante a internação. Os dois medicamentos atuam de modo distinto. A carboplatina danifica o material genético das células tumorais, levando-as à morte. E o paclitaxel inibe o funcionamento de uma proteína chamada tubulina, fundamental para a divisão celular. Dessa forma, impede a proliferação das células doentes. A expectativa é de que esse primeiro ataque ao tumor debele os incontáveis nódulos espalhados no peritônio. “Esse tipo de câncer responde bem ao tratamento. Além disso, ela tem fígado, rins e coração ótimos, o que ajuda bastante”, diz Simon. As chances de remissão do tumor de Hebe são de 60%. Durante as sessões de químio, também serão dadas doses de cortisona para eliminar mal-estares e dores no corpo decorrentes da medicação, e remédio contra náuseas.

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Se o organismo de Hebe não revidar na intensidade necessária, ela será tratada com uma segunda linha de remédios e tem a opção de usar drogas mais recentes, como o Avastin, que ainda são experimentais, para tumores como os de Hebe. Lançado em 2004 para tratar câncer coloretal, o medicamento representou um marco na história da luta contra a doença. Ele foi o primeiro remédio antiangiogênico. Ou seja, o primeiro a impedir a formação dos vasos sanguíneos que alimentam os tumores.Sem essa rede de suporte, as células não recebem o oxigênio e os nutrientes necessários para se multiplicar e se espalhar pelo organismo. Simon também costuma sugerir aos pacientes de sua clínica, o Centro Paulista de Oncologia, sessões de reflexologia, uma massagem oriental nos pés que relaxa e restaura energias. “Mas minha mãe não gosta muito dessas coisas”, disse à ISTOÉ o filho, Marcello. Outro integrante da equipe, o cirurgião oncológico Benedito Rossi, não descarta uma laparoscopia depois das doses de químio para investigar os resultados. Em 26 anos de oncologia, ele tratou apenas outros seis casos como o da apresentadora. De férias do SBT até fevereiro, Hebe está liberada pelos médicos para retomar as gravações nos intervalos da terapia. Os únicos cuidados adicionais nesse período são seguir uma dieta controlada e evitar excessos.

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