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“Lula está sendo devolvido ao palanque”

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello diz que tem a obrigação de colocar os pingos nos is

“Lula está sendo devolvido ao palanque”

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello diz que tem a obrigação de colocar os pingos nos is. “Teve gente imaginando que depois da minha condenação à condução coercitiva do ex-presidente Lula, eu passaria no PT para pegar minha carteirinha”, brinca. Ele diz, contudo, que acredita ser insuspeito. “Não vendo a minha alma, muito menos ao diabo.” Para Mello, a medida do juiz Sergio Moro “não só devolveu Lula ao palanque como o ressuscitou politicamente”. E o pedido de prisão preventiva de Lula pelo Ministério Público de São Paulo vai nesta mesma linha. 

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Istoé – Como o sr. avalia o pedido de prisão preventiva do ex-presidente Lula?
Marco Aurélio – A capacidade intuitiva não justifica a prisão preventiva. O subjetivismo não pode prevalecer. A prisão preventiva é exceção, não é regra. A regra é apurar a culpa antes de prender. Eu não sei o que ele fez, mas de qualquer forma tudo isso é impensável para um presidente da República. Como li num artigo recente, a condução coercitiva deu a Lula uma posição de Nelson Mandela.
 
IstoÉ – Da mesma forma como o sr. diz que o juiz Moro devolveu Lula ao palanque, acredita que o pedido de prisão alimenta isso na mesma linha?
Marco Aurélio – Alimenta. Porque o ex-presidente Lula acaba neste contexto como vítima, e não é por aí.
 
IstoÉ – O sr .vê na delação do senador Delcídio do Amaral razão suficiente para o impedimento da presidente Dilma? 
Marco Aurélio – Se procedentes os fatos noticiados, temos coisas seríssimas. São fatos inimagináveis, aí evidentemente tem que se mergulhar para se definir. Ou seja nos não podemos permanecer como estamos. Não sei se há possibilidades desses fatos serem levados para as ações em curso no TSE. Mas no âmbito político e administrativo, em termos de impeachment, só se o que foi noticiado forem inverdades do senador para livrar sua própria pele. O senador estava dentro na cozinha do próprio governo. Como não presumo o excepcional, tenho que conferir algum crédito à fala dele. Afinal, foi líder do governo, e por último, é um homem que tem cabelos brancos. Isso sugere experiência e os pés no chão.