Edição nº2487 11.08 Ver edições anteriores

O buraco em 2016 é bem mais fundo

Se a crise de 2008 foi uma ‘marolinha’, a atual encontra o Brasil em condições bem mais frágeis

Em setembro de 2008, quando o banco de investimentos americano Lehman Brothers foi à lona, em decorrência da crise imobiliária nos Estados Unidos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva diagnosticou como ‘marolinha’ o que já era visto por muitos como prenúncio de uma tsunami financeira. Foi naquele momento que ganhou impulso a política de estímulos ao crédito e ao consumo do então ministro Guido Mantega.

De certa forma, a crise de 2008, não apenas para o Brasil, mas também para o resto do mundo, foi, de fato, uma marolinha. Especialmente porque todos os governos e bancos centrais trataram de estimular suas economias, com taxas de juros baixíssimas e incentivos fiscais. Assim, uma bolha financeira passou a ser combatida com doses cavalares de liquidez. Graças a esses anabolizantes, o mundo continuou crescendo e commodities como petróleo e minério de ferro voltaram a escalar montanhas em 2010, ano em que a economia brasileira cresceu 7,5%.

Hoje, o mundo se depara com uma situação bem mais grave do que a de 2008. Há uma percepção generalizada de que os governos, endividados, já não dispõem mais dos meios para alavancar suas economias. Países da Europa e o Japão já adotam taxas de juros negativas – ou seja, o investidor paga para aplicar em títulos governamentais. O mesmo remédio foi cogitado nos Estados Unidos na semana passada, onde os juros também se encontram nas mínimas históricas.

Outro fator de preocupação é o petróleo. Se antes havia previsões do barril a US$ 30, já se fala numa cotação de US$ 20, caso os países da Opep não entrem em acordo para reduzir a produção global. A cotação baixa pode provocar uma onda de falências no setor de óleo e gás –
e foi isso que, na semana passada, pressionou também as ações dos bancos europeus, que emprestaram bilhões para essas companhias.

Diante desse quadro sombrio, o Brasil se vê numa situação bem mais frágil, já em recessão e sem o menor espaço para novos estímulos, uma vez que a dívida interna se aproxima de 70% do PIB. É um ambiente perturbador que impõe um mínimo de estabilidade política para que se leve adiante uma agenda de reformas.
 


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