Edição nº2488 18.08 Ver edições anteriores

A corrupção foi ferida de morte

Como demonstrou Paulo Roberto Costa, nunca existiu doação de campanha, mas sim investimento

A decisão do Supremo Tribunal Federal de proibir o financiamento empresarial de campanhas políticas, por 8 votos a 3, na última quinta-feira, foi a conquista mais importante para o eleitor brasileiro desde o processo de redemocratização. Basta pensar em qualquer escândalo recente – “mensalão”, “petrolão”, “trensalão” – para constatar que todos eles têm como pano de fundo a mesma raiz: a contaminação da política pelo dinheiro privado.

Pode-se até dizer que a decisão do STF foi diretamente influenciada pela Operação Lava Jato. Nela, ficou praticamente demonstrado que não existe doação de campanha, mas sim investimento das empresas, como afirmou Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.

A empresa que “doa”, na verdade, apenas planta o que irá colher mais adiante – ou até colheu por antecipação.

Como a decisão do STF já se aplicará às eleições municipais de 2016, como advertiu o ministro Ricardo Lewandowski, presidente da corte, a presidente Dilma Rousseff não terá por que não vetar o arremedo de reforma política aprovado na Câmara dos Deputados, por iniciativa do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Até porque o financiamento privado foi declarado inconstitucional.

O primeiro impacto positivo da mudança será o desaparecimento dos parlamentares que agem não como representantes do povo, mas como despachantes de interesses privados. Muitos até já falam em não se candidatar nas próximas eleições. Além disso, sem o dinheiro privado, o capitalismo brasileiro tende a se tornar mais competitivo. Basta lembrar dos doadores de campanha que formaram cartéis de obras na Petrobras e nos trens no metrô paulista, encarecendo preços e piorando a qualidade dos serviços.

Agora, o próximo passo deve ser reduzir os gastos de campanha e tomar precauções para que a política não seja invadida por candidatos-celebridade, que, por serem já notórios, necessitam de menores investimentos para se tornar conhecidos pelos eleitores. 


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