Medicina & Bem-estar

A dieta da juventude

Regime criado por cientistas americanos rejuvenesce o cérebro em até oito anos

A dieta da juventude

Uma pesquisa patrocinada pelo Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos demonstrou que um regime batizado de MIND diet tem o poder de rejuvenescer o cérebro em até oito anos. Conduzido por pesquisadores da Rush University Medical Center, também nos EUA, o trabalho provou que a dieta retarda o declínio cognitivo que acontece com o passar dos anos e tem alto índice de adesão. O artigo sobre o modelo de alimentação foi publicado na última edição da revista da Associação Americana de Alzheimer.

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A MIND diet é uma combinação de alimentos presentes na dieta mediterrânea, considerada uma das mais saudáveis, e na Diet Approaches to Stop Hypertension, cuja sigla é DASH e que tem como objetivo a adoção de parâmetros alimentares que previnam e tratem a hipertensão. Da associação entre as duas surgiu o acrônimo MIND (Mediterranean-DASH Intervention for Neurodegenerative Delay, algo como intervenção Mediterrânea-DASH para atrasar o processo neurodegenerativo).

O regime consiste na inclusão no cardápio de alimentos com benefícios cientificamente comprovados para o funcionamento cerebral. O primeiro item é o de folhas verde escuro. O espinafre, por exemplo, é rico em ácido fólico, composto importante para a regeneração celular. Nozes, amêndoa e amendoim devem ser consumidos todos os dias por sua alta concentração de vitamina E, que ajuda a proteger os neurônios. Feijão e lentilha contêm L-tirosina, aminoácido que contribui para a fabricação de substâncias que elevam a concentração.

O menu deve apresentar ainda grãos integrais, compostos por carboidratos complexos, responsáveis por garantir energia ao funcionamento das células de maneira mais uniforme. Os carboidratos simples, ao contrário, ocasionam picos de glicose, o que obriga a produção concentrada e elevada de insulina (hormônio que possibilita a passagem do açúcar presente no sangue para dentro das células). Também não podem ficar de fora vinho, azeite de oliva e frutas vermelhas. Elas possuem flavonóides (substâncias que ajudam a preservar os neurônios). É permitido comer, com moderação, opções como carne vermelha e frituras.

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PROVA
A cientista Martha desenvolveu o menu com alimentos que têm poder
comprovado para melhorar o funcionamento dos neurônios

Os pesquisadores vêm trabalhando na confecção da dieta há dois anos. Em março, eles já tinham publicado um trabalho no qual comprovaram sua eficácia para reduzir a chance de uma pessoa desenvolver a doença de Alzheimer, caracterizada pela perda progressiva da memória e demência. O trabalho divulgado agora amplia o escopo de benefícios. De acordo com a pesquisa, a adesão à MIND diet melhora de maneira significativa as memórias episódica (lembrança pessoal de um evento), de trabalho (usada para reter a informação por pouco tempo e, depois, se for importante, armazenada por longo prazo) e a semântica (guarda informações de conhecimento comum, como nome de cores). Também aprimora as habilidades visuais e a percepção de velocidade nos movimentos.

As conclusões foram obtidas após o acompanhamento de 960 idosos ao longo de quase cinco anos. Anualmente eles foram submetidos à avaliação de suas habilidades cognitivas e também responderam a questionários sobre seus hábitos alimentares. Isso permitiu aos cientistas associar a adesão da dieta à evolução do funcionamento do cérebro dos participantes. No final da pesquisa, aqueles que seguiram a dieta com fidelidade apresentaram capacidade cerebral de alguém em média 7,5 anos mais jovem em comparação aos que não aderiram ao regime com rigor.

Na opinião da coordenadora do experimento, Martha Clare Morris, diretora da Seção de Nutrição da Rush University, a eficácia do regime resulta do fato de ele conter ingredientes específicos para a saúde cerebral. “Diferentemente da dieta mediterrânea e da DASH, a MIND diet foi criada para conter nutrientes que se mostraram cientificamente importantes para proteger o cérebro de doenças neurodegenerativas”, disse à ISTOÉ. “E é fácil de ser adotada.”

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Fotos: Rush Photo Group; Shutterstock