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Caçadores matam cinco elefantes em Parque Nacional do Quênia

Segundo guardas do Parque Nacional Tsavo, os animais - uma mãe e quatro filhotes - foram encontrados sem as presas na manhã de terça-feira

Caçadores matam cinco elefantes em Parque Nacional do Quênia

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No momento em que o mundo lamenta a morte de Cecil, o leão mais famoso do Zimbábue, por um dentista americano, outra notícia também devastadora de caça ilegal na África foi divulgada nesta quinta-feira, 30.

De acordo com autoridades do Quênia, na noite de segunda-feira caçadores mataram pelo menos cinco elefantes no Parque Nacional Tsavo. Os corpos dos animais – que seriam uma fêmea e seus quatro filhotes – foram encontrados na manhã de terça-feira pelos guardas do parque. Todos estavam sem suas presas.

Atualmente, os elefantes correm mais perigo na África do que os leões já que suas presas de marfim os tornam alvos preferenciais de caçadores. Na Ásia, compradores pagam mais de US$ 1000 por cerca de 500g do marfim extraído ilegalmente da presa dos elefantes. "É completamente devastador" afirmou Paul Gathitu, porta-voz do Serviço de Vida Selvagem do Quênia. "Fomos pegos completamente de surpresa."

Investigadores quenianos afirmaram que os caçadores entraram no parque pela fronteira do da vizinha Tanzânia, caçaram os elefantes e voltaram rapidamente para sua base, o que torna muito difícil sua identificação. O Parque Nacional Tsavo se estende pela fronteira do país por mais de 80 quilômetros.

Os guardas do parque afirmaram que ouviram o barulho de tiros na noite de segunda e fizeram buscas por toda a madrugada até encontrarem os corpos dos elefantes, na manhã de terça. De acordo com as autoridades, os caçadores fugiram utilizando motos.

Entre 2010 e 2012, mais de 100 mil elefantes africanos foram mortos por caçadores ilegais – um nível de destruição que coloca os animais à beira da extinção. Já no caso dos leões africanos, a maior ameaça à sua sobrevivência vem da destruição dos hábitats onde o animal costumava viver e não da caça propriamente dita.

Combate. O Quênia ampliou recentemente seus esforços para garantir a segurança da vida selvagem do país. No ano passado, 550 novos guardas começaram a trabalhar no Parque Nacional Tsavo. Além disso, muitos animais já são monitorados em tempo real com o uso de dispositivos GPS. "Aumentamos nossa inteligência e nossas operações. E temos tido sucesso", disse Gathitu. "Esse é um dos motivos pelos quais ficamos tão surpresos (com a morte dos elefantes).

Até o momento, duas pessoas foram presas sob suspeita de terem participado da caçada aos elefantes. Segundo as autoridades, machados e serrotes ensanguentados foram encontrados nas casas dos dois.

E não é só no Quênia que assassinatos em massa de elefantes estão acontecendo. Cerca de 30 animais foram mortos em menos de duas semanas, no começo deste ano, no Parque Nacional Garamba, no Congo. O mercado de compra e venda de artigos de caça ilegal movimenta anualmente entre US$ 7 e US$ 10 bilhões, segundo estimativas. "Vivemos uma crises de elefantes atualmente", disse recentemente Iain Douglas-Hamilton, fundador da ONG Save the Elephants (Salvem os elefantes, em tradução livre).

No fim de semana, durante sua visita ao Quênia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que aumentaria as restrições em território americano para reduzir o mercado ilegal de marfim. A nova lei deve proibir a venda de marfim de elefantes africanos em todos os Estados americano.