Medicina & Bem-estar

Poluição, ansiedade e AVC

Estudo revela que o ar poluído também aumenta o risco para o surgimento de problemas cerebrais e psiquiátricos

Poluição, ansiedade e AVC

A poluição é um fator de risco para doenças cardíacas e respiratórias. Agora, a ciência aponta outras duas enfermidades que podem ser desencadeadas por ela: acidente vascular cerebral (avc) e ansiedade. A conclusão é de uma pesquisa de pesquisadores da Universidade de Vancouver, no Canadá. Eles analisaram mais de cem trabalhos sobre o assunto e constaram que a alta concentração de gases e partículas tóxicas no ar pode ser incluída na lista dos riscos para as duas doenças. Combinando dados de análises atmosféricas, levantamentos de admissões em hospitais e estatísticas de óbitos de 28 países, os cientistas atestaram a relação. “Essa pesquisa resulta de uma melhor compreensão do papel da poluição do ar como desencadeadora de uma inflamação sistêmica no corpo”, disse Michael Brauer, líder do trabalho.

MEDICINA-ABRE-IE.jpg

Uma vez inalados, os poluentes desencadeiam um processo inflamatório – resposta do organismo a uma agressão. No pulmão, os poluentes encontram caminhos abertos para se espalhar pelo organismo, e a inflamação ocorre de forma generalizada. Por isso, cada sistema de órgãos responderá à sua forma.

Nos casos de avc, os principais sistemas afetados são o circulatório e o nervoso. Em resposta à inflamação, o sistema nervoso simpático – um dos componentes do sistema nervoso autônomo, que controla funções como respiração e temperatura – aumenta sua atividade e envia ordens ao sistema circulatório. Aumenta a pressão sanguínea e diminui o volume de sangue distribuído pelo corpo, inclusive no cérebro. Desta forma, cresce o  risco de trombose e de rompimento dos vasos sanguíneos cerebrais, extremamente delicados, causando o avc.

IE2375pag64_medicina.jpg

Da mesma forma que atinge a circulação, a presença de poluentes contribui para o desenvolvimento de ansiedade, o transtorno psiquiátrico mais comum no mundo (afeta 16% da população). A partir da inflamação que os poluentes causam no corpo, o organismo entra em situação de estresse, deteriorando a saúde e iniciando – ou comprometendo – um quadro de ansiedade. O efeitos são mais fortes no primeiro mês de exposição aos gases tóxicos.

Foto: Danilo Verpa