Uma nova investigação da Polícia Federal pode atingir em cheio o governador mineiro Fernando Pimentel, ex-ministro do Desenvolvimento do governo Dilma Rousseff. Na manhã da sexta-feira 29, cerca de 400 policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em 30 endereços residenciais e 60 comerciais nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. A PF prendeu quatro pessoas, entre elas o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, empresário do setor gráfico aliado de Pimentel. A PF já recolheu indícios de crimes de lavagem de dinheiro, mas suspeita também de desvio de recursos públicos para financiamento ilegal de campanhas eleitorais e compra de votos.

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O inquérito foi aberto em outubro quando a PF apreendeu no aeroporto de Brasília R$ 116 mil numa aeronave com Bené, o jornalista Marcier Trombiere, assessor da campanha de Pimentel, e o segurança Pedro Medeiros. Nenhum deles conseguiu justificar de forma convincente a origem dos valores. Dentre as buscas realizadas, a PF vistoriou o apartamento do ex-deputado petista Virgílio Guimarães, uma espécie de “padrinho” de Bené. Virgílio é fundador do PT e teve seu nome envolvido no escândalo do mensalão. Na megaoperação também foram apreendidos 10 veículos de luxo e o avião King Air, avaliado em R$ 2 milhões, de propriedade do empresário mineiro. Desde o episódio de outubro de 2014, a PF passou a monitorar os envolvidos. Bené foi levado para prestar depoimento e, em seguida, detido em flagrante. 

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Segundo o delegado Dennis Cali, responsável pelo caso, os alvos do inquérito são suspeitos de ocultar do dinheiro por meio da técnica de “smurffing”, pelo fracionamento de valores, além de confusão patrimonial e uso extensivo de “laranjas”. Em outubro, ISTOÉ revelou a identidade de três prepostos do empresário que apareciam no controle de oito diferentes companhias, inclusive a Bridge Participações, na qual foi registrado o King Air.

Foto: ADRIANO MACHADO/AG. ISTOÉ