Edição nº2488 18.08 Ver edições anteriores

Ministros agora passam o pires no Congresso

A aprovação do orçamento impositivo para este ano fez surgir um fenômeno novo nas relações entre o primeiro escalão do governo e o Congresso

A aprovação do orçamento impositivo para este ano fez surgir um fenômeno novo nas relações entre o primeiro escalão do governo e o Congresso. Como o pagamento das emendas parlamentares se tornou obrigatório, os ministros agora correm atrás de deputados e senadores para pedir emendas a projetos e obras de suas áreas. Com esse objetivo, na terça-feira 3, o ministro da Pesca, Helder Barbalho, esteve com a bancada do PMDB. Como argumento, disse ter pouco mais de R$ 200 milhões de orçamento.

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Pouco a oferecer
Até o ano passado, os parlamentares dependiam dos ministros para liberar as verbas de suas emendas. Isso dava ao Palácio do Planalto grande poder de barganha na hora de convencer os congressistas a votar as propostas de interesse do governo. A nova situação torna bem mais complicada a aprovação
do ajuste fiscal.

Só boas notícias 
Eduardo Cunha dá sinais de que as mudanças na TV Câmara vão afetar a programação mais qualificada da emissora. Para se contrapor às denúncias, a emissora institucional vai tratar de fatos positivos para Câmara. Os documentários e programas de música erudita perdem espaço.

Tensão na família
O deputado Sarney Filho (PV) pediu que o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, responda oficialmente se compartilhou com governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), detalhes das investigações contra Ricardo Murad, ex-secretário de Saúde e cunhado de Roseana Sarney.

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Fora do padrão
Uma licitação feita no final do ano passado para a compra de 364 notebooks consumiu R$ 1,6 milhão do Senado. Os aparelhos chegaram sem tela de touch screen, exigida no edital, mas o Senado recebeu o equipamento mesmo assim. O preço unitário das máquinas foi de R$ 4,4 mil.

A água ficou salgada
Pela regra, o preço do metro cúbico da água da transposição do rio São Francisco deve ser calculado segundo o volume de investimentos públicos na obra. Como os aditivos contratuais aumentaram os custos, há o temor de que a população não possa pagar sem subsídio oficial.

Uma TV para Cunha
Quem assistiu à programação da TV Câmara na semana passada notou uma diferença. Agora, uma equipe da TV segue os passos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, por todo canto. Quando ele estava na CPI da Petrobras, a equipe estava junto. No momento em que Cunha voltou para o plenário,
o cinegrafista e o repórter novamente
o acompanharam.

Cruz credo
Servidores se mostram assustados com a ingerência de Eduardo Cunha nos meios de comunicação da Câmara. Na última semana, a mulher dele, Cláudia Cruz, telefonou para a Agência Câmara e mandou trocar a chamada de uma matéria sobre reforma política publicada no site. Cunha não gostara do texto.

Ecos do HSBC
Um dos clientes do HSBC na Suíça presente na lista em poder Coaf chama-se José Luiz de Magalhães Lins. Trata-se do ex-diretor do Banco Nacional e do BANERJ, figura proeminente da sociedade carioca. Erroneamente, o Coaf informou que Lins teria falecido. Quem morreu foi seu filho homônimo e o neto Luca, vítima da queda de um helicóptero do empreiteiro Fernando Cavendish na Bahia em 2012. Segundo o Coaf, Lins foi “relacionado em comunicação de operação suspeita referente à conta de sua titularidade”. “Os valores sacados em espécie, entre R$ 40 e R$ 50 mil, seriam utilizados para pagamento de empregados”.

Operação caça às bruxas
O vazamento do relatório do COAF sobre o HSBC entregue à Receita Federal irritou Dilma Roussef. A presidente determinou a abertura de uma sindicância para apurar o nome do responsável. Dois agentes da ABIN e dois da Polícia Federal participam do grupo de investigação. Haverá quebra dos sigilos telefônico e telemático dos funcionários de funcionários da Receita e da PF.

Toma lá dá cá

Deputado Édio Lopes (PMDB-RR)

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ISTOÉ – A doação de US$ 1 bilhão da Noruega para ações de preservação da Amazônia tem sido bem aplicada?
Lopes –
Não. Deste total, U$ 468 milhões foram transferidos ao Brasil, mas o BNDES não aplicou nem R$ 100 milhões e os noruegueses decidiram suspender as últimas parcelas.

ISTOÉ – Qual é o interesse do governo da Noruega em apoiar o Fundo da Amazônia?
Lopes –
O Rio Amazonas joga um volume colossal de águas com micronutrientes no Oceano Atlântico. Há uma corrente que sobe e
dá na costa da Noruega. O bacalhau norueguês, quando alevino, se alimenta quase exclusivamente dessa cadeia.

ISTOÉ – Os estrangeiros pressionam pela aplicação dos recursos?
Lopes –
Eles se manifestaram questionando o excesso de burocracia. A letra S deveria sair da sigla do BNDES. O banco está voltado para projetos bilionários.

Rápidas

* A cada movimento no tabuleiro, os deputados dão pistas de como se comportarão na missão de investigar e punir seus pares envolvidos no esquema de corrupção flagrado pela Operação Lava Jato. A estratégia dos envolvidos é manter tudo sob controle.

* O PMDB entregou ao PP a presidência da poderosa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado mais cobiçado da Câmara. O PP tem total interesse em comandar a CCJ, pois é o partido com maior número de deputados citados na Operação Lava Jato.

* Cabe à CCJ dar a palavra final sobre os pedidos de cassação definidos pelo Conselho de Ética antes do envio dos processos ao plenário. Até mesmo a admissão dos recursos passa pela comissão. O presidente da CCJ é o deputado Arthur Lira, de Alagoas.

* A composição do Conselho de Ética da Câmara somente será definida a partir desta semana. Os partidos decidiram esperar a divulgação da lista de parlamentares enviada ao STF pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para indicar os nomes.

Retrato falado

José Serra (PSDB-SP) demorou mais de um mês para subir à tribuna no seu segundo mandato de senador. No longo pronunciamento feito na tarde de quarta-feira 4, ele surpreendeu parlamentares do governo pelo teor de seu discurso. Em vez de apelar ao escândalo da Lava Jato, o senador preferiu fazer uma análise da política econômica no governo Lula e do primeiro mandato de Dilma. Embora crítico, Serra tratou quase só de temas administrativos e econômicos.

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O evangélico e o comunista
O ministro do Esporte, George Hilton, arranjou um jeito bem-humorado de se dirigir ao novo secretário-executivo da pasta, Ricardo Layser, militante do PCdoB. Nas conversas, Hilton costuma citar o cantor Roberto Carlos: “Ricardo Layser, meu amigo de fé, meu irmão… camarada”. Com esse bordão, de uma só tacada, Hilton faz referência à sua crença religiosa e ao tradicional tratamento entre comunistas.

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Aposta na experiência
Ao nomear Ricardo Layser para a principal secretaria de sua pasta, George Hilton surpreendeu o setor esportivo. Imaginava-se que o ministro levaria integrantes da Igreja Universal, à qual pertence, para os principais cargos da pasta. Hilton preferiu a experiência de Layser.

Foto: Fabio Guinalz
Colaboraram: Claudio Dantas Sequeira, Izabelle Torres e Josie Jerônimo 


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