Medicina & Bem-estar

A resposta na pele

Cientistas criam teste para diagnosticar Alzheimer e Parkinson a partir da análise de células cutâneas

A resposta na pele

Cada vez que um pesquisador encontra uma substância com potencial para melhorar o diagnóstico de doenças degenerativas do cérebro, como Alzheimer, Parkinson e vários tipos de demência, a ciência comemora. Desta vez, o achado foi feito por uma equipe da Universidade de San Luis Potosí, no México. Eles desenvolveram um exame de pele que revela a presença de duas proteínas – a tau e a alpha synuclein – em padrões diferenciados que estão cientificamente associados a uma dessas enfermidades. “O exame de pele que desenvolvemos poderá permitir aos médicos a identificação precoce desses males”, disse o médico Ildefonso Rodrigues-Levya, autor do estudo e médico do Hospital Central da Universidade de San Luis Potosí.

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Até o momento, o exame de pele que revela as duas proteínas foi aplicado em 65 voluntários. Doze deles eram pessoas saudáveis e outras 53 pessoas tinham diagnóstico de Parkinson, Alzheimer ou demência. O trabalho feito na universidade mexicana será apresentado em abril no Encontro Anual da Academia Americana de Neurologia, nos Estados Unidos.

Ainda não existem exames para diagnosticar patologias degenerativas do cérebro com precisão ou em fase precoce. “Cerca de 80% a 85% dos casos de Alzheimer são identificados por exames clínicos e pelos relatos do paciente sobre sinais e sintomas associados à condição”, explica o neurologista Ivan Okamoto, coordenador do Núcleo de Excelência em Memória do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Testes de imagem auxiliam na confirmação do diagnóstico. A chegada do exame em desenvolvimento pelos mexicanos ainda levará algum tempo pois o estudo está em fase inicial.

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O neurologista Okamoto explica que a maioria dos diagnósticos
hoje é feita por exames clínicos e histórico do doente

Fotos: Shutterstock; Airam Asil