Brasil

Diminuir consumo de carne é essencial para reduzir aquecimento global, diz pesquisa

Indústria pecuária emite mais gases que todos os aviões, carros, navios e trens do mundo, segundo estudo

Diminuir consumo de carne é essencial para reduzir aquecimento global, diz pesquisa

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Você provavelmente pensa que carros ou fábricas são as principais emissores de gases responsáveis pelo efeito estufa, como o CO2, mas uma pesquisa afirma que você está enganado. Segundo o estudo, realizado pela ONG inglesa Chatham House, a indústria pecuária é a maior responsável pela produção desses gases – ela emite mais que todos os aviões, carros, navios e trens do mundo -, e governos e entidades ambientais não agem para remediar esse problema por medo da reação negativa dos consumidores.

“Prevenir um aquecimento catastrófico depende de lidar com o consumo diário de carne e laticínios, mas o mundo tem feito muito pouco”, afirmou ao jornal inglês “The Guardian” o autor principal do estudo, Rob Bailey. “Muito tem sido feito em relação a desmatamento e transporte, mas existe uma grande lacuna no setor pecuário. Há uma grande relutância em se engajar por causa da sabedoria popular de que não é função de governos ou da sociedade civil se intrometer nas vidas das pessoas e dizê-las o que devem comer.”

O relatório mais recente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas afirmava que uma mudança na dieta da população mundial pode diminuir de forma significativa as emissões de gases de efeito estufa – mesmo assim, uma pesquisa mundial revelou que a maioria das pessoas acham que os maiores geradores são os veículos. Emissões da indústria pecuária, geradas principalmente pelos arrotos e fezes de vacas e ovelhas, correspondem atualmente a 15% dos gases gerados no mundo.

O apetite por carne tem crescido de forma elevada conforme a população mundial cresce e adquire maior poder aquisitivo. Seu consumo deve aumentar em 75% até 2050 – o de laticínios crescerá 60%, enquanto que o de cereais chegará a apenas 40%. O Brasil é o quarto maior consumidor do mundo, atrás de China, União Europeia e Estados Unidos.