Medicina & Bem-estar

O alívio das agulhas

Estudo revela que acupuntura é mais eficiente do que remédios para tratar a dor nas costas

Um estudo realizado por médicos da Universidade de Regensburg, na Alemanha, acaba de mostrar pela primeira vez que sessões regulares de acupuntura podem dar melhores resultados do que os remédios convencionais no alívio da dor lombar crônica, um mal que aflige milhares de pessoas. As conclusões da pesquisa foram publicadas na edição de setembro da conceituada revista científica Archives of Internal Medicine. Os pesquisadores analisaram 1,1 mil voluntários divididos em três grupos submetidos a acupuntura tradicional, a sessões em que as agulhas não penetram tão profundamente na pele e ao tratamento convencional, com remédios. A comparação permitiu descobertas surpreendentes. As respostas dos pacientes a questionários especiais para avaliar a dor e a capacidade funcional, seis meses depois de terem iniciado o tratamento, indicaram uma melhora de 46% no grupo que fez acupuntura como manda o figurino, de 44% entre os que foram submetidos à modalidade com estímulos superficiais e apenas 27% entre as pessoas que tomaram medicamentos para combater a dor lombar.

Além de evidenciar que a acupuntura foi mais eficiente do que os remédios, o trabalho levou os cientistas a iniciar um debate sobre a ênfase atualmente dada à prática e ao ensino da acupuntura tradicional chinesa, já que a acupuntura “falsa” e mais suave também trouxe benefícios. “A diferença entre as duas formas de aplicação está na velocidade dos resultados. Quando a agulha é aplicada corretamente, em pontos e na profundidade indicada, o efeito é mais rápido. Mas, como as agulhas têm efeito cumulativo e prolongado no organismo, depois de 15 a 20 sessões os dois tipos podem se equiparar nos efeitos”, afirma Hong Jin Pai, presidente da Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura de São Paulo (SMBASP) e médico do Centro de Dor da Clínica de Neurologia e do Centro de Acupuntura do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.