Comportamento

Asilo de luxo

Chega ao Brasil o modelo de casas hi-tech para idosos

No quarto, as tomadas para os equipamentos médicos e para o oxigênio ficam atrás de um quadro de cores pastel. A cama hospitalar elétrica é disfarçada pela roupa de cama marrom e laranja. A pia da enfermagem fica oculta em um armário. Além disso, há internet e videoconferência. Quem entra em um dos 119 quartos do Centro de Convivência e Desenvolvimento para a Terceira Idade Hiléa, que abriu suas portas dia 29, no Morumbi, em São Paulo, se surpreende com a tecnologia usada para manter os idosos assistidos sem que eles se sintam em um hospital.

A exemplo de empreendimentos na Europa e nos Estados Unidos, o Hiléa é capaz de oferecer, no mesmo espaço físico, moradia, assistência médicohospitalar e entretenimento a pessoas de 60 anos ou mais. Mesmo que não more no complexo, o idoso pode usar a estrutura e participar das atividades de lazer e cultura – além de um cinema e uma livraria, serão ministrados cursos variados. Até então, no Brasil, as opções para a terceira idade se restringiam a asilos tristes e a alguns residenciais de luxo, como o Solar da Gávea, no Rio de Janeiro, e o Lar Sant’Ana, em São Paulo, mas que não conciliam moradia com assistência médica. A novidade, claro, é para poucos: a mensalidade varia de R$ 8 mil a R$ 13 mil.

A Europa serviu de inspiração. “Como na Holanda, optamos por atender desde o idoso que não necessita de auxílio para realizar as tarefas diárias até quem precisa de cuidados médico- hospitalares crônicos. Assim, conforme o tempo passa, ele não precisa mudar de casa”, diz Cristiane D’Andrea, presidente do Hiléa. Os Estados Unidos são referência no tratamento de Alzheimer. Alguns cuidados com a arquitetura fazem a diferença. Por exemplo, quem tem a doença deve evitar caminhar em pisos com desenhos geométricos porque pode confundir com um degrau e cair.

Sônia Miller, 84 anos, vai continuar morando com o filho e contando com a ajuda da empregada doméstica de mais de 20 anos para desempenhar algumas tarefas diárias, mas não abrirá mão do convívio social proporcionado pelo centro. “Quando estou sozinha em casa, tenho dor no corpo. Quando tenho companhia, não sinto nada”, diz Sônia.