Edição nº2480 23.06 Ver edições anteriores

As reclamações do PMDB contra o PT

O clima de campanha e a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa complicaram um pouco mais a difícil convivência entre PT e PMDB no governo

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O clima de campanha e a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa complicaram um pouco mais a difícil convivência entre PT e PMDB no governo. O vice-presidente Michel Temer não sabe mais a quem apelar no Planalto para conter os embates. Renan Calheiros e Henrique Alves classificam como “seletivo” o vazamento da delação de Paulo Roberto Costa. O senador Eunício Oliveira denuncia o uso da PF contra sua candidatura a governador. José Sarney engrossa o coro dos descontentes.

Caixa 2 do sexo

Parlamentares envolvidos no escândalo da Petrobras estão muito preocupados com as quebras de sigilo do doleiro Alberto Youssef. A Polícia Federal identificou pagamentos de passagens aéreas para dezenas de mulheres. Os grampos telefônicos indicam que elas eram amantes de deputados e senadores e tinham suas despesas bancadas pelo doleiro.

Embrapa na muda

Os caciques do PMDB identificaram o interesse do ministro Aloizio Mercadante, da Casa Civil, em retirar a Embrapa do Ministério da Agricultura, controlado pelo partido. O órgão de pesquisa seria levado para o Ministério da Ciência e Tecnologia, pasta comandada pelo PT.

Secretário escanteado

Nomeado por Antonio Andrade, antecessor de Neri Geller no Ministério da Agricultura, o secretário de Defesa Agropecuária, Rodrigo Figueiredo, tem papel figurativo. Geller não divide com ele as decisões importantes da pasta. Prefere recorrer a técnicos mais experientes.

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Rota de colisão

Concorrente de Renan Filho (PMDB) ao governo de Alagoas, o senador Benedito de Lira (PP) levou ao ar propaganda política em que acusa o adversário de ser responsável por um acidente de trânsito que matou o contador Mário Jorge Jacinto da Silva. O caso se deu em 2004.

Homenagem pegou mal

Paula Lobão, mulher do candidato a governador do PMDB, Lobão Filho, foi fotografada com um cartaz em que chama o corregedor do TRE-MA, Antônio Pacheco Guerreiro Jr., de desembargador “do povo”. Guerreiro soltou uma nota explicando que não tinha nada a ver com a cortesia.

Pesos e medidas

Governadores de Estados com altos índices de violência estão sem entender os critérios do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em relação ao envio de tropas federais para garantir as eleições. A corte autorizou o reforço policial no Pará, mas recusou o envio da Força Nacional ao Rio de Janeiro. Outros cinco Estados pediram ajuda ao tribunal.

Inquérito

Denunciado por ISTOÉ em reportagem de capa de abril de 2013, o ex-ministro da Agricultura Antônio Andrade (PMDB), vice na chapa do petista Fernando Pimentel ao governo de Minas Gerais, virou alvo de inquérito sigiloso sno STF por crimes contra a fé pública e falsidade ideológica.

Fichas ainda mais limpas

Um novo projeto de iniciativa popular, em fase de coleta de assinaturas, estabelece normas para dificultar a carreira dos políticos profissionais. Liderado pelo criminalista Luiz Flávio Gomes, a iniciativa propõe o fim da reeleição para o mesmo cargo e exige que o detentor de mandato concilie suas atividades políticas com a profissão original. A proposta também permite que os eleitores destituam autoridades em casos flagrantes de incompetência ou escândalos de corrupção. Se adotadas, avalia Gomes, essas medidas vão representar um avanço na Lei da Ficha Limpa e melhorar o perfil dos eleitos.

Campanha contraditória

O Poder Judiciário do Amapá lançou campanhas para conscientizar os eleitores em relação à escolha dos candidatos. As peças publicitárias ignoram o fato de que dois inquéritos que apuram denúncias de corrupção contra dezenas de autoridades estão há quatro anos parados no próprio Judiciário. Sem o julgamento desses casos, os acusados podem continuar na vida pública.
 
Toma lá dá cá

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Nilmário Miranda (PT-MG), da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

ISTOÉ – Ao julgar o caso Rubens Paiva, o TRF da 2ª Região decidiu que a Lei da Anistia não se aplica a crimes permanentes e de lesa-humanidade. Qual a importância da decisão?
Miranda –
Rompe uma interpretação equivocada da Lei da Anistia e derruba o princípio da impunidade dos que cometeram graves violações dos direitos humanos.

ISTOÉ – Pode ser estendida a outros casos?
Miranda –
Pode inspirar o STF, inclusive diante dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade.

ISTOÉ – Assassinos e torturadores podem ir para a cadeia? 
Miranda –
Sim. Mais importante, porém, é o sinal de que o Brasil entrou definitivamente na era do estado democrático de direito.

Rápidas

* O presidente nacional do PT, Rui Falcão, não engoliu o esvaziamento de seu poder imposto pela presidenta Dilma Rousseff com a nomeação do ex-ministro Miguel Rossetto para a coordenação da campanha. O ambiente continua tenso entre os petistas.

* Após atacar o adversário Paulo Câmara (PSB), por causa do polêmico contrato do jatinho que era usado por Eduardo Campos em sua campanha, Armando Monteiro (PTB) perdeu a liderança nas intenções de voto para o governo de Pernambuco.

* Paulo Câmara promete ressuscitar o escândalo da farra de passagens aéreas no Senado. Um dos beneficiários de várias passagens da cota do senador foi seu filho Armando Monteiro Bisneto, além de sua mulher.

* O novo presidente do STF, Ricardo Lewandowski, tem o desafio de se posicionar sobre o Princípio da Insignificância de alguns processos. O plenário deve analisar nos próximos dias uma ação contra um homem que furtou um chinelo de R$ 16
em Minas Gerais.

Retrato falado

A posse do novo presidente do STF, Ricardo Lewandowski, foi marcada por críticas veladas ao antecessor Joaquim Barbosa. O ex-presidente, que se aposentou em julho, brigou com vários setores do Judiciário e conta com a antipatia de magistrados e advogados. A resistência a Barbosa ficou clara no discurso do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinicius Coelho, aplaudido ao lembrar que o cargo de juiz é maior do que quem o ocupa.

Especialista em indenização

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O advogado Antonio Campos (foto) tem experiência em pedidos de reparação por danos morais e materiais. Ele foi responsável pela ação que obrigou a Fiat a pagar, em 2007, uma indenização à família do cantor Chico Science, morto dez anos antes em um acidente de carro. Agora, Antonio decidiu processar a União e a fabricante de aviões Cessna pelo desastre que matou seu irmão, Eduardo Campos, em Santos.

De carona com Campos

A morte de Eduardo Campos fez o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), mudar sua campanha de reeleição. Aliado de Dilma, ele ignorava o correligionário. Agora, de carona na popularidade póstuma, ele usa imagens de Campos e enaltece sua trajetória política.

Fotos: Adriano Machado/AG. ISTOÉ; Alexandre Gondim/JC Imagem
Colaboraram: Claudio Dantas Sequeira, Izabelle Torres e Josie Jerônimo


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