Cultura

A vez dos heróis de segunda linha

Personagens coadjuvantes ou esquecidos que fracassaram nos quadrinhos estouram as bilheterias dos cinemas e ganham séries exclusivas na tevê

A vez dos heróis de segunda linha

REDENÇÃO Pouco conhecidos nos quadrinhos, os -Guardiões

Responsáveis por algumas das maiores bilheterias da história, as milionárias franquias de super-heróis chegaram a um impasse. “Batman” e “Homem-Aranha” viram suas histórias de vida rebobinadas diversas vezes. Idas e voltas a passados e futuros remotos esticaram a saga dos “X-Men”. Esse superuso dos personagens está levando empresas como a Marvel a desenterrar personalidades malsucedidas dos quadrinhos, que se tornaram sucesso na telona.

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REDENÇÃO
Pouco conhecidos nos quadrinhos, os "Guardiões da Galáxia"
são a maior bilheteria do ano nos EUA

“Guardiões da Galáxia” fez US$ 586 milhões em bilheterias no mundo todo, com US$ 295 milhões apenas nos EUA, o filme mais lucrativo do ano até agora. No Brasil, o longa-metragem rendeu R$ 35 milhões, a 14ª bilheteria de 2014. Uma continuação já está nos planos para 2017. A Marvel, estúdio responsável, também está produzindo “Homem Formiga”, com previsão de estreia para julho de 2015, e aprovou o roteiro para cinema de “Inumanos”.

A Netflix, serviço por assinatura de filmes pela internet, fechou um acordo com o estúdio para a produção de quatro séries de baixo orçamento, que devem estrear simultaneamente em 2015: “Demolidor”, “Jessica Jones”, “Punho de Ferro” e “Luke Cage”. Outro que ganhou uma série é “Constantine”, personagem menor da DC Comics, com estreia prevista para 24 de outubro no canal NBC, nos EUA. Para o ilustrador e professor de quadrinhos Klebs Júnior, o mercado cinematográfico funciona em ciclos, e a demanda no momento é por mais adaptações. “HQs são a onda da vez, e por isso eles acabam procurando tramas secundárias”, diz ele, que agencia desenhistas brasileiros que atuam na Marvel e na DC. Klebs explica que a maioria desses heróis teve seus títulos cancelados em papel por terem sido ignorados pelo público. “Alguns já foram reformulados em 15 ou 20 ocasiões”, diz. Como fonte de inspiração para Hollywood, pelo menos, a quantidade de heróis do segundo escalão deve continuar se multiplicando nas telas durante os próximos anos.

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Fotos: Divulgação