Comportamento

Traição, poder e vingança

Em livro-surpresa, ex-primeira-dama da França diz que François Hollande é frio, cínico, não gosta de pobres e narra seu sofrimento ao saber do caso extraconjugal do marido

Traição, poder e vingança

AMANTES No livro, Valérie Trierweiler (acima) conta que se dopou com remédios ao ver a foto de Hollande e Julie Gayet (abaixo) no noticiário ()

Lavar roupa suja em público quando o assunto é traição amorosa nunca foi praxe entre os poderosos na França. A ex-mulher do presidente francês, François Hollande, Valérie Trierweiler, porém, fugiu à linha discreta e escreveu um livro no qual relata os detalhes sórdidos da relação do casal, manchando de vez a já arranhada reputação do político. “Merci pour ce Moment” (Obrigada por este momento) tem tiragem de 200 mil exemplares e, apesar de ter sido lançado somente na quinta-feira 4, já é o título mais disputado na Amazon francesa. A atitude de Valérie rompe a tradição local, mas, justiça seja feita, ela não foi a primeira: no ano passado, a também ex-primeira-dama Cecilia Attias publicou uma autobiografia contando os podres de Nicolas Sarkozy.

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No livro, Valérie Trierweiler (acima) conta que se dopou com remédios
ao ver a foto de Hollande e Julie Gayet (abaixo) no noticiário

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Em 320 páginas, Hollande é descrito como “frio, cínico”, um homem que “menospreza os outros e que se desumanizou após a conquista do poder”, além de não gostar de pobres (leia ao lado). Entre os relatos dos nove anos de relação – dos quais 18 meses se passaram no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa – o principal é a descrição dos bastidores de quando Valérie descobriu a pulada de cerca do presidente com a atriz Julie Gayet. Ela conta o inferno que viveu. “Sinto a tempestade que vai se abater sobre mim e não tenho forças para resistir. Quero fugir. Perco a consciência”, narra, ao lembrar de quando se dopou com remédios para dormir ao ver as fotos do marido com a amante no noticiário.

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A confecção do livro fez a agente literária Anna Jarota parecer mais uma agente secreta. Escrito durante seis meses em um computador desligado da internet para evitar vazamentos e espionagem de hackers, ele foi impresso na Alemanha e transportado em caminhões para a França um dia antes do lançamento. Durante os encontros com editoras, autora e agente literária diziam que era um projeto sobre ações comunitárias na Nigéria. Até a ordem de compra enviada às livrarias tinha título e autor falsos. Não deixa de ser, também, mais uma forma de acertar as contas com o ex: Hollande tomou conhecimento da desagradável surpresa junto com o público. Exatamente como aconteceu com Valérie, quando soube do caso extraconjugal dele.

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Fotos: PUNIT PARANJPE/AFP Photo; ABDELHAK SENNA/AFP Photo; BERTRAND GUAY/AFP Photo