Brasil

Política do meio a meio

Agências de filhos e parentes de caciques do PFL são favorecidas no rateio da publicidade

Na gestão do deputado Rafael Greca (PR) no Ministério do Esporte e Turismo, ficou evidenciada a tutela de dirigentes do PFL sobre a exploração do jogo eletrônico no País, o que foi decisivo para a sua agonia e queda. O que ainda não se sabia é que empresas de parentes de caciques do partido estão faturando em outro veio do Ministério. As contas de publicidade da Embratur, o Instituto Brasileiro de Turismo, foram rateadas entre duas empresas vencedoras de uma licitação: a Artplan Prime para vender o Brasil no exterior e a Pejota Propaganda, para atuar no mercado interno. Empresa que tem como sócios majoritários Ricardo Dalcanale Bornhausen e Fernanda Bornhausen, sobrinho e filha do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, a Artplan Prime tem outra conta no governo federal: a do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), conquistada em 1996 quando o ministro da Previdência era o também pefelista Reinhold Stephanes. A Pejota é uma empresa baiana ligada ao clã de Antônio Carlos Magalhães. Um de seus donos é Paulo Gadelha Vianna, cunhado do filho do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães Júnior. Terceira no ranking das agências que atendem ao governo da Bahia, a Pejota tem como diretor financeiro Renato Tourinho, que chegou a ser indiciado como “fantasma” de ACM em cheques que teriam sido usados na campanha eleitoral de 1990. As duas empresas de publicidade estão sob a mira do Ministério Público Federal.

Verbas – O Ministério Público tem agora outras preocupações além da investigação sobre a contratação, sem concorrência, da Artplan Prime na montagem do pavilhão brasileiro na feira mundial de Hannover, Alemanha. Essas irregularidades foram reveladas por ISTOÉ na semana passada. Mas agora os procuradores examinam também aditivos contratuais de R$ 10 milhões, cada um, para a Pejota e a Prime. “Há fortes indícios de que não existem dotações orçamentárias para atender o acerto com as duas agências. O mais grave foi um novo aditivo de R$ 14,1 milhões para a Artplan cuidar da feira de Hannover, sem que nada no contrato original pudesse justificar”, critica o procurador da República Luiz Francisco de Souza. Com as mãos no histórico da licitação que contratou as duas empresas, o procurador manifestou estranheza também com o fato de que, na concorrência para publicidade da Embratur no Exterior, tenham participado da disputa, além da Artplan Prime, a Artplan Comunicação S.A – de propriedade do empresário Roberto Medina e do deputado Rubem Medina (PFL-RJ), que também têm 30% da Prime. “Sem dúvida, isso indica uma irregularidade na licitação”, diz Luiz Francisco. “Vencemos limpamente a licitação. Vale destacar também que do objeto do contrato, entre outras atribuições, consta a atuação na organização e planejamento de exposições e eventos no Exterior”, defende-se o presidente da Artplan Prime, Ricardo Bornhausen