Copa 2014

Até quando vai durar a Ronaldomania?

Como se comportam as centenas de fãs que seguem o melhor jogador do mundo pelo País, uma estrela solitária que terá de se desdobrar para manter Portugal no Mundial

Até quando vai durar a Ronaldomania?

Cristiano Ronaldo parece gostar do assédio: responde aos gritos das arquibancadas com sorrisos

O domingo 15 de junho foi minuciosamente planejado pela universitária baiana Ana Pereira, 23 anos, e pela estudante do ensino médio carioca Giovanna Affonso Federico, 14 anos. Apesar do dia em Salvador se anunciar com um ensolarado calor de 28 graus e a cidade estar ainda mais efervescente, por causa dos milhares de turistas que chegaram para o Mundial de futebol, as jovens tinham um só objetivo: se plantar em frente ao Hotel Deville, na praia de Itapuã, à espera de um olhar, um sorriso, um aceno do seu ídolo, o atacante português Cristiano Ronaldo, 29 anos, atual melhor jogador do mundo, segundo a Fifa. Foram horas de vigília – manhã, tarde e noite – sem arredar o pé. Mas tamanho esforço produziu desfechos totalmente diferentes. Hóspede do hotel de alto padrão, Giovanna teve seu esforço recompensado por volta das 19h, quando abordou CR7 no corredor das suítes. Livre de seguranças, assessores e afins, teve direito a selfie,  autógrafo em três camisas, entrega de carta, beijo, abraço, conversa, troca de sorrisos… “Agora ele sabe que eu existo”, disse, entre suspiros, a adolescente, que definiu o “menino d’ouro” como simpático, bonito e muito cheiroso. A aluna de veterinária Ana, fã com direito a e-mail personalizado com o nome do português e vários pôsteres enfeitando o quarto, não teve a mesma sorte.  Carregou primo, pai, tia para a porta do Deville, estendeu faixa, mas o máximo que viu foi o ônibus da delegação saindo e voltando, com os vidros fechados. “Não tive dinheiro para comprar ingresso para Alemanha x Portugal, na Fonte Nova, mas não vou desistir”, dizia a baiana.

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Cristiano Ronaldo parece gostar do assédio:
responde aos gritos das arquibancadas com sorrisos e acenos

Assim como as duas, centenas de mulheres têm suspirado pelo gajo no País. Foram recepcioná-lo no aeroporto, acompanham os treinos, acampam em frente aos hotéis. Tudo ao som de gritos histéricos, faixas motivadoras e suspiros enlevados. Mas essa ronaldomania à brasileira pode estar prestes a acabar. Estrela solitária de um time de coadjuvantes que não estão à altura dele, CR7 já amargou uma vergonhosa derrota na segunda-feira 16, perdendo de 4 dos alemães, e terá de se desdobrar para carregar Portugal para as oitavas-de-final.

Alheias à atuação da seleção lusa em campo, as ronaldetes só querem propagar seu amor pelo ídolo português.  Algumas chegam a cometer loucuras, como a carioca Manoela Ribeiro Bastos, 20 anos. Para acompanhar a chegada do time do técnico Paulo Bento ao Brasil, no dia 11, a jovem enfrentou mais de dez horas de ônibus de Macaé (RJ), sua cidade natal, até Campinas (SP), onde a delegação desembarcou. “Essa é minha primeira oportunidade de vê-lo de perto. Eu tinha que vir”, disse Manoela, que, além de conferir o desembarque lusitano, também marcou presença no treino aberto do dia 12, no Estádio da Ponte Preta. A paixão pelo jogador é tanta que está até estampada na pele, em duas tatuagens que a carioca ostenta com orgulho: as inscrições “Cristiano Ronaldo”, no braço direito, e “Real Madrid”, atual clube do craque, no esquerdo. “Nenhuma das minhas amigas gosta do Cristiano Ronaldo e até me chamam de doida e doente, mas para mim ele é tudo. É lindo, um ótimo jogador, além de bom filho e bom pai”, diz.

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Nos treinos abertos que a seleção portuguesa realizou nos dias 12 e 18 de junho, em Campinas, a ronaldomania pôde ser medida em gritos. A cada passagem do jogador pelo campo, durante uma corrida de aquecimento, os fãs gritavam seu nome e acenavam faixas de apoio. CR7 respondia com sorrisos e acenos, o que gerava ainda mais gritos histéricos, especialmente das meninas. No treino do dia 18, ao caminhar para o banco, o ídolo jogou para a plateia o colete que havia usado, o que gerou uma comoção. O ápice das demonstrações de idolatria veio quando, ao fim do treinamento, os jogadores de Portugal se aproximaram das arquibancadas para distribuir camisetas. Meninas e meninos se agarraram às grades de proteção com as mãos estendidas, pedindo um presente ao ídolo, que alguns poucos sortudos conseguiram. Algumas faixas lançavam: “Cristiano Ronaldo, independente do resultado de Portugal estamos com você”. Se depender desses fãs, não importa o que acontecer a Portugal, o atual rei dos gramados não irá perder a majestade.

Fotos: Frederic Jean/Istoé; João Castellano
* Débora Crivellaro (debora@istoe.com.br), Paula Rocha (paularocha@istoe.com.br)