Cultura

Omissão fatal

Biógrafo mostra que astros do rock mortos precocemente davam sinais claros de distúrbios psicológicos e abusos de drogas muito tempo antes de entrarem no ciclo que culminou nos finais trágicos de suas vidas

Omissão fatal

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Conheça os astros que fazem parte do Clube dos 27

 

 

Jovens com a autoestima baixa, artistas amados por multidões e viciados, completamente dependentes de drogas e álcool. Ficou conhecido como Clube dos 27 o grupo de astros que, além dessas características, guardam em comum o fato de terem morrido com essa idade, no auge de suas carreiras Algumas teorias tentam explicar as coincidências nas biografias de Amy Winehouse, Kurt Cobain, Jim Morrison, Janis Joplin, Jimmi Hendrix e Brian Jones. O que o biógrafo inglês Howard Sounes faz de mais importante em seu novo livro é cruzar relatos de familiares, de colegas e dos próprios astros para mostrar que os abusos que levaram ao fim de suas vidas eram do conhecimento das pessoas mais próximas, de longa data.

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“Amy e o Clube dos 27” conta que os astros consumiam drogas desde a adolescência, quando quase todos viviam com as suas famílias, desmontando o mito de que a pressão do sucesso abriu as portas para os entorpecentes. Mick Jagger defende essa tese. O vocalista dos Rolling Stones – banda que tem um representante no Clube dos 27, Brian Jones – diz que algumas pessoas simplesmente não são psicologicamente adequadas para serem estrelas do rock. Sounes defende, porém, que a falta de adequação psicológica era bem anterior ao estrelato. E, já no início de carreira, cada um dos integrantes do clube mórbido dava sinais claros de sua disfunção emocional. Kurt Cobain, hipocondríaco, apresentava todos os sintomas de transtorno bipolar. Desde 1989, o músico percorria consultórios médicos atrás de alívio para um desconforto no estômago.

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Nenhum deles encontrou a origem da indisposição nem percebeu que Cobain tomava diariamente doses massivas de heroína, droga que o acompanhou até o fim da vida, em 1994, com um tiro disparado contra a própria cabeça. Como Cobain, Janis Joplin e Amy Winehouse tinham graves problemas em relação à própria imagem. Então, se o sucesso não levou ao uso das drogas, elas ajudavam a suportar a exposiçåo. Tirar a muleta, portanto, poderia implicar em um afastamento nada interessante à máquina de dinheiro movida por turnês e programas de tevê. Em 2004, Amy, já esquálida, passou a cair bêbada em seus shows. Os empresários da cantora disseram para o “Times” que sugeriram a internação da compositora pela primeira vez depois de seu primeiro rompimento com o amante, Blake-Fielder Civil, que ocorreu apenas em 2005.

Fotos: Bryan Adams/Trunk Archive; File/AP Photo