Edição nº2488 18.08 Ver edições anteriores

Estrela Cadente

2009 foi o ano de Lula. 2010 será o do esquecimento. E a cada dia seu brilho será menor

Lula, Lula, Lula. Lula no café, no almoço, no jantar e na sobremesa. Uma overdose de Lula. Em 2009, só deu ele. Lula escalou o pico
do Everest e, lá de cima, não viu ninguém por perto. Homem do ano de ISTOÉ, do Le Monde, do El País, do Financial Times, Lula foi o herói de todas as listas, num ano em que o capitalismo dos “brancos de olhos azuis” fracassou. O ano em que o Brasil superou três países que são centros irradiadores da crise – Estados Unidos, Espanha e Japão – e ganhou o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016. E em que a teoria da marolinha, elaborada por um gênio intuitivo chamado Luiz Inácio Lula da Silva, calou os sábios e os arautos da catástrofe.
Mas a sorte é também uma deusa traiçoeira. Que ilude, prega peças e por vezes eleva seus homens ao ponto onde o ar é rarefeito apenas para que também possam experimentar a sensação da vertigem.

Quis o destino que Lula alcançasse o topo da montanha mais alta perto do fim do seu reinado e às vésperas de inevitável declínio. Que não será uma queda espetacular, apenas o abandono. E se 2009 foi o ano de Lula, 2010 será o do esquecimento. Dia após dia, a partir de 1º de janeiro, quando estréia nos cinemas o filme que cultua sua personalidade, a estrela de Lula brilhará menos. Perderá luz, força e intensidade, até que se apague de vez. Como o mundo é regido por leis físicas, químicas e biológicas, Lula é hoje um elemento que atingiu seu ponto de saturação. O Brasil se divertiu com ele, riu de suas metáforas, mas também se saciou. E qualquer dose a mais de Lula já não produzirá o mesmo resultado – em vez de ampliar seu raio de influência, poderá até gerar um efeito contrário. A mudança de percepção virá quando todos se derem conta de que o Poder, maiúsculo mesmo, não emana mais dele – mas sim do que virá pela frente.

E não há nenhuma força tão magnética no Brasil quando a caneta dos poderosos. Por isso mesmo, 2010 será o ano em que todos – empresários, políticos, intelectuais e formadores de opinião – tentarão saltar do barco de Lula para a lancha do Sucessor, ainda mais maiúsculo. Há quem diga que o último ano de mandato é aquele em que até o cafezinho é servido frio no gabinete presidencial do Palácio do Planalto. Puro mito. Lula ainda será bajulado por muito tempo, seus seguidores discutirão se ele foi maior do que Getúlio, JK ou ambos, mas a verdade é uma só: em 2010 o filho do Brasil será uma estrela cadente no firmamento. E que talvez até possa ser vista em meio aos fogos da noite de Réveillon.


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