Comportamento

Só o começo vai ser fácil

Brasil escapa do grupo da morte na primeira fase, mas terá o caminho mais difícil para chegar à final

Só o começo vai ser fácil

LARGADA Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, e a atriz Fernanda Lima apresentam o sorteio: desequilíbrio de forças ()

A Copa do Mundo de futebol, enfim, tem uma cara. O sorteio dos grupos, na Costa do Sauípe, Bahia, na sexta-feira 6, revelou os confrontos iniciais da 20ª edição da competição. Brasil e Croácia, na Arena Corinthians, abrem o torneio, em São Paulo, em 12 de junho. Dois fatos merecem destaque agora que os desafios de cada uma das 32 seleções foram revelados. Primeiramente, o caminho da Seleção para o hexa pode ser recheado de duros confrontos logo depois da fase inicial. Se passar na primeira colocação, o Brasil poderá ter Espanha, a atual campeão mundial, ou Holanda, algoz brasileiro no torneio passado, como adversários já nas oitavas-de-final. Os dois tradicionais times europeus compõem, junto com Chile e Austrália, o grupo B, de onde o segundo colocado terá de enfrentar o campeão do grupo brasileiro.

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LARGADA
Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, e a atriz Fernanda Lima
apresentam o sorteio: desequilíbrio de forças

Se a Seleção avançar para as quartas-de-final e a lógica do peso da camisa das equipes falar mais alto, é muito provável que o Brasil tenha de encarar Inglaterra ou Itália, duas campeãs mundiais. “Seria até melhor jogar com um adversário mais forte logo na primeira fase”, diz Tostão, campeão mundial em 1970, avaliando essas possibilidades. “Apesar de que, no meu bolão, o Chile se classificaria no grupo B.” A outra revelação do sorteio é o paradoxo de forças das chaves. Grupos extremamente fortes como o D, composto pelos campeões mundiais Itália, Inglaterra e Uruguai, e o G, com Portugal, Alemanha, Gana e Estados Unidos, se contrapõem com outros, como o H (Bélgica, Argélia, Coréia do Sul e Rússia) e o C (Colômbia, Grécia, Costa do Marfim e Japão).

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Para o comentarista esportivo e jornalista Alberto Helena Jr., a culpa por tal disparidade é o grande número de seleções que disputam o torneio e o uso do ranking da Fifa como critério para definir os cabeças-de-chave. “Esse sistema de ranking que colocou Suíça e Bélgica como líderes de grupos complica o sorteio. O ranking não representa a força de uma seleção na Copa do Mundo”, afirma Helena Jr. “Sou a favor, também, de abrir mais espaço para times da Europa e diminuir para asiáticos e africanos.” A Seleção Brasileira terá adversários medianos na primeira fase. Campeões mundiais como Bebeto e Jairzinho gostaram do grupo de maneira geral. Já técnico Luiz Felipe Scolari usa um tom mais baixo. “A Croácia tem um futebol bonito. Camarões tem algumas proezas em mundiais e o México sempre dificulta as coisas para nós”, disse. Não admite, mas talvez já esteja com os olhos mais adiante, quando a Copa, para a Seleção, começa de verdade.

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Colaboraram Michel Alecrim e Mariana Brugger
Foto: BRUNO DOMINGOS/MOWA PRESS