Editorial

O VALOR DA DEMOCRACIA

O VALOR DA DEMOCRACIA

O real valor da democracia começa a ser percebido quando a classe política de uma nação, a despeito de diferenças ideológicas, matizes partidários ou correntes de pensamento, consagra o respeito às crenças e convicções da sociedade. Eis o auge do amadurecimento democrático que pode ser almejado. No palco do BRASILEIROS DO ANO 2013, na semana passada – evento no qual, anualmente, a Editora Três, através das revistas ISTOÉ, DINHEIRO e GENTE, homenageia aqueles que se destacaram em diferentes áreas de atuação –, o verdadeiro sentido da democracia esteve presente de maneira inequívoca. Os que ali foram ratificaram o conceito de que o livre pensar é um direito inalienável da sociedade, que deve ser compartilhado, ouvido e discutido. Dois presidenciáveis, o senador mineiro Aécio Neves e o governador pernambucano, Eduardo Campos, dando sentido prático a essa premissa, não apenas se congratularam e enalteceram o valor de futuros adversários de palanque como, de pé, receberam representantes do povo para ouvir seus apelos por mais justiça social. Foi um momento especial! De troca de ideias, aberta e diretamente. De respeito.

Há pouco tempo, o País experimentou uma onda difusa, plural e rica de propostas de inúmeros manifestantes que tomaram as ruas por mudanças. O desejo voltou a ficar evidente através de pesquisa recente de opinião na qual 66% dos entrevistados pediram para que as coisas sigam diferentes daqui por diante. No palco do BRASILEIROS, Aécio e Campos, cada um ao seu estilo e carregando suas convicções, assumiram o discurso da transformação como plataforma de fé. O clamor pelo novo jeito de governar embala o espírito de eleitores nos últimos tempos – sem distinção de classe, cor ou credo –, evidenciando a sua busca incansável e digna por melhorias. Ignorar esse anseio é um erro lamentável, ainda cometido por diversos dirigentes do Poder Executivo.

Existem políticos que tendem a ignorar fatos e pessoas, deliberadamente. Por descaso ou cálculo meditado. Maculam assim o princípio democrático. E o fazem movidos por simples e imediata conveniência própria. Erram feio! Trafegam entre a prepotência e o cinismo no exercício da prática política e colhem mais desafetos que o ideal, deixando em débito uma alta conta de compromissos que mais adiante geralmente faz falta.

É gigantesca a dificuldade desses dignitários do voto em entender sua verdadeira missão, por mais elementar que ela seja. Em países onde práticas democráticas são exercidas há séculos, os bons valores republicanos, de respeito e atenção aos cidadãos, estão enraizados. Por aqui, em certos momentos e casos, as conveniências do Executivo e do Legislativo, à direita e à esquerda, nem sempre coincidem com aquelas da Nação. Muitos são os políticos predispostos à autoindulgência, como se a conquista nas urnas bastasse para que sigam praticando seus atos ao bel-prazer, sem prestar satisfações, virando as costas para quem os colocou naquele lugar. Espíritos verdadeiramente democráticos atuam de maneira diametralmente oposta.

Ao analisarem o significado da noite do BRASILEIROS DO ANO, quem sabe ocorra aos legatários da democracia a oportunidade de uma reflexão em torno de uma aproximação mais efetiva e positiva dos desejos da população. Não sairão tão cedo da memória as cenas de praças e ruas apinhadas por multidões, em sua maioria, pacíficas e corajosas, ordeiras e irônicas, dotadas ao mesmo tempo de senso de humor e paixão. Elas são a prova inconteste de que não existe nada mais forte que uma ideia de mudança cujo tempo chegou. A Editora Três se solidariza com as aspirações da sociedade e se engaja em seu movimento, materializando propostas, dando palco e espaço para que todos exponham seus propósitos, numa prática cotidiana de liberdade de expressão e vigilância do poder. Sem compactuar com interesses partidários, sem sublimar as mazelas, seja de quem está na situação ou na oposição, pelo bem da democracia.