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Jango, a exumação

Jango, a exumação

Quarenta e nove anos depois de seu assassinato político pelo golpe militar que o apeou do poder e 37 anos após a sua morte física por infarto quando estava asilado na Argentina, o ex-presidente João Goulart retornou na semana passada em corpo e alma à mídia brasileira e internacional. Na cidade gaúcha de São Borja, sua terra natal e onde foi sepultado, seus restos mortais foram exumados. O que se busca saber é se o infarto se deu por envenenamento. Enquanto os ossos eram remexidos, senadores propunham a anulação da sessão do Congresso que destituiu Jango e a restituição simbólica a ele do cargo de presidente. Ainda que tecnicamente não se conclua se foi ou não envenenado, é fato que a exumação em si é um poderoso ato político contra a inconstitucionalidade dos militares em 1964. Tal ato já começou no Senado, e foi reforçado na quinta-feira 14 quando os restos mortais de Jango foram recebidos em Brasília com honras de chefe de Estado.