Comportamento

Roupa à prova de bala

Empresários e executivos aderem a jaquetas, ternos e casacos que resistem a tiros de pistolas. Calças e capacetes blindados em breve chegarão ao mercado

Roupa à prova de bala

PROTEÇÃO

Em várias partes do mundo, empresários e executivos já andam com roupas à prova de balas, sem que ninguém perceba. Podem ser ternos alinhados, jaquetas esportivas e coloridas, casacos, tudo com idêntica proteção balística de um colete blindado, desses usados por policiais. O ator Steven Seagal usa, o presidente americano, Barack Obama, também, e pessoas comuns, inclusive no Brasil, vêm aderindo à moda. Uma das peças mais comuns é a jaqueta que impede a perfuração de pistolas de 9 milímetros ou de calibre 40, que, no Brasil, são fabricadas pela Tamtex, em Mauá, na Grande São Paulo. O gerente de marketing Felipe Silvério conta que o aumento de procura, especialmente por motociclistas, levou a empresa a desenvolver blindagem também para calças e capacetes, ainda não comercializados. Por fora, a roupa é feita de couro ou tecido sintético, como cordura, em cores variadas. Os preços variam entre R$ 1.820 e R$ 2.425.

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PROTEÇÃO
O empresário Luís Fernando Oliveira de Moura comprou a jaqueta blindada:
"Já fui assaltado duas vezes e fiquei traumatizado", diz ele

Em países vizinhos, vestir um terno à prova de balas do estilista colombiano Miguel Caballero não é raridade. O presidente Obama teria usado um paletó feito por ele no dia da posse do primeiro mandato, em 2009, informação nunca confirmada ou desmentida pela Casa Branca. Também a alfaiataria Garrison Bespoke, de Toronto, no Canadá, oferece ternos resistentes à bala para executivos. Embora a roupa seja discreta, aumenta em dois quilos o peso. Importante: é preciso licença da Polícia Civil, intransferível, para ter essas roupas. O diretor da Associação Brasileira dos Profissionais de Segurança, Vinícius Cavalcante, aconselha, também, que os interessados façam um curso de defesa pessoal antes, e alerta para o fato de as vestimentas não protegerem contra tiro de fuzil – como já acontece com coletes à prova de balas usados por quem não é policial.

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“O mais importante é a pessoa aprimorar sua percepção, saber dos riscos ao seu redor e como se portar”, aconselha o especialista. O empresário paulista Luís Fernando Oliveira de Moura, 37 anos, foi um dos que adquiriram a jaqueta. “Tenho que me deslocar por longas distâncias para trabalhar. Já fui assaltado duas vezes e fiquei meio traumatizado. Tenho um filho de 14 anos e preciso me proteger até por ele”, explica o empresário. Nesta sociedade violenta, blindar-se virou tendência.