Economia & Negócios

Os gigantes da moda rápida

As maiores grifes globais do setor chamado de fast-fashion chegam ao Brasil e obrigam a concorrência nacional a lançar novas estratégias. Em jogo, um mercado cada vez mais valioso

Os gigantes da  moda rápida

Na terça-feira 5, a grife americana GAP vai abrir no MorumbiShopping, em São Paulo, sua segunda loja no Brasil. Até o fim do ano, a também americana Forever 21 inaugura dois endereços no País: um na capital paulista e outro no Rio de Janeiro. Recentemente, a sueca H&M anunciou que estreará cinco butiques em território brasileiro, todas com previsão de abertura em 2014. Planos parecidos tem a espanhola Desigual, que vai desembarcar no Brasil, no ano que vem, com três lojas, mas sua meta prevê outras 50 até 2017. Além do interesse no mercado nacional, essas gigantes têm em comum uma característica que as tornaram referência no universo varejista: elas se enquadram na categoria fast -fashion, expressão usada para as lojas que produzem moda rápida e contínua – ou seja, os clientes sempre são surpreendidos por novidades expostas nas prateleiras. “Existe espaço no mercado fast-fashion brasileiro porque ainda não temos uma marca que entregue a tríade perfeita para o segmento, que é oferecer moda rápida com preço acessível e boa qualidade”, diz Letícia Abraham, diretora de pesquisa e planejamento da consultoria Mindset/WGSN. “Faz muito sentido as empresas de fora quererem entrar nesse filão, porque existe uma enorme oportunidade de mercado.”

ECONO-ABRE-IE-2294.jpg
EM BREVE
Fachada da gigante americana Forever 21 em Tóquio. Até o fim do ano,
a grife abrirá as suas duas primeiras lojas no Brasil

A chegada de grandes grupos estrangeiros também pode ser atribuída ao crescimento da economia brasileira nos últimos anos, que fez emergir uma nova classe média sedenta por consumo. Mas, ao contrário do que acontece em outros setores, quando o aumento da concorrência faz os preços despencarem, no pulsante fast- fashion brasileiro o efeito poderá ser diferente. Os custos com importação e logística fazem os preços das grifes internacionais serem em média 30% mais caros no Brasil do que no Exterior. Resultado: como os estrangeiros recém-chegados cobram mais, as varejistas já estabelecidas no Brasil aproveitam para elevar seus preços. A holandesa C&A, durante muito tempo identificada como uma marca popular, passa por um processo de glamourização. Recentemente, contratou estilistas renomados como o italiano Roberto Cavalli para assinar novas coleções. Hoje, há peças na C&A brasileira que custam R$ 800 – muito acima do padrão que pode ser chamado de popular. “Com a ascensão da classe média, o consumidor brasileiro mudou os seus hábitos, passou a ter mais noção de moda e de design e se tornou mais exigente”, afirma Olívia Margarido, analista de varejo da consultoria Lafis.

ECONO-03-IE-2294.jpg
PRESTÍGIO
Acima, loja da GAP em São Paulo, no shopping JK Iguatemi, inaugurada em setembro.
Abaixo, a fila de pessoas aguardando a abertura de mais uma H&M
em Londres. A rede sueca chega ao Brasil no ano que vem

ECONO-02-IE-2294.jpg

Marca 100% nacional, a Riachuelo também se movimenta para enfrentar a nova concorrência. O presidente da empresa Flávio Rocha diz que sua meta é abrir, nos próximos quatro anos, um número de lojas maior do que em 70 anos de história no Brasil. Só em 2013 foram inauguradas 44 novas lojas no País. No dia 27 de novembro, será aberta uma butique na badalada rua Oscar Freire, uma das áreas mais nobres de São Paulo. “Estamos preparando o lançamento de uma coleção assinada por dez estilistas e celebridades fashion”, diz Rocha. “Vivemos um processo de expansão agressivo para brigar por esse mercado que cresce de forma impressionante.” Para explicar o que é o conceito fast-fashion, o executivo garante que, em apenas dez dias, é capaz de colocar nas prateleiras de todas as lojas uma peça que acabou de fazer sucesso nas passarelas. “Essa velocidade é essencial porque as pessoas buscam cada vez mais novidades.” Se grifes como C&A e Riachuelo buscam glamour, algumas recém-chegadas apostam na popularização. A H&M tem como estratégia iniciar as suas operações pela avenida Paulista, em São Paulo, em vez de investir em um shopping de luxo, como fizeram as suas concorrentes globais. A marca deseja se posicionar como popular e deve vir com preços inferiores aos da GAP, Zara e Topshop. A guerra, pelo visto, será intensa.

IEpag76e77_Economia-2.jpg