Tecnologia & Meio ambiente

Lucro é o nome do jogo

Mais caro que o Playstation 4 nos Estados Unidos, o Xbox One será vendido pela metade do preço do concorrente no Brasil. Entenda por que isso ocorre

Lucro é o nome do jogo

GUERRA DE PREÇOS Sony culpa impostos para explicar o preço do PS4, enquanto se especula que o Xbox esteja sendo produzido no Brasil (Eric Thayer/Getty Images/AFP)

Tecnologia de ponta custa caro. E é com esses avanços tecnológicos que são feitos os mais modernos consoles de videogame. Dois deles estão prestes a mostrar se valem o quanto custam para os 150 mil visitantes esperados na Brasil Game Show, maior feira de games da América Latina, que acontece de 26 a 29 de outubro em São Paulo. De um lado, o Xbox One, nova versão do console da Microsoft, que inovou o mercado ao trazer o sistema de reconhecimento de gestos Kinect, em 2010. De outro, o Playstation 4, da Sony, marca que detém o título de console mais vendido na história, com 155 milhões de unidades comercializadas do PS2 no mundo todo.

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GUERRA DE PREÇOS
Sony culpa impostos para explicar o preço do PS4, enquanto se
especula que o Xbox esteja sendo produzido no Brasil

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Tecnicamente, são muito parecidos. “O PS4 é um pouco mais rápido, mas isso não vai impactar na qualidade dos jogos do Xbox One”, diz André Toyama, professor de games do Instituto de Artes Interativas, em São Paulo. Se dentro da caixa as diferenças inexistem, fora dela, na etiqueta de preço, está um fator decisivo para definir quem vence essa batalha. Os fãs de games foram pegos de surpresa com o anúncio da Sony de que o PS4 vai ter preço sugerido de R$ 3.999 no Brasil, quase o dobro dos R$ 2.200 do concorrente. Curiosamente, nos EUA, o console da Microsoft é US$ 100 mais caro que o PS4.

A Sony divulgou um infográfico mostrando como é feita a composição do preço do PS4 (leia quadro), mas não resolveu a equação e empurrou o grosso da culpa para os impostos. “Não é do nosso interesse vender o aparelho com um alto preço de varejo”, afirma Mark Stanley, gerente-geral para a América Latina. “Vamos continuar dialogando com os órgãos governamentais para reduzir a pesada carga fiscal”, diz. Apesar da justificativa, a conta não fecha. Segundo cálculos feitos pelo advogado tributarista Márcio Camargo Ferreira da Silva, trazer um PS4 dos EUA, como pessoa física, custaria R$ 1.995, contando com os impostos. Menos do que os ­R$ 2­.524 divulgados pela Sony (preço de transferência mais taxas). “Não está claro o motivo dessa diferença, a empresa não explicou os parâmetros que está usando para calcular os impostos”, diz.

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E como explicar o fato de o concorrente ser mais caro lá fora e mais barato aqui? Uma maneira de baratear o custo de um produto é reduzir a margem de lucro. Tomando o PS4 como exemplo, sabe-se que em seu preço inicial (R$ 858) já estão embutidos os lucros da companhia e dos varejistas americanos. Quando o console chega aqui, outros R$ 875 de lucro da Sony Brazil e dos vendedores locais são acrescidos, valor que representa 22% do total. Especialistas especulam que a Microsoft pode ter baixado consideravelmente sua margem, eliminando ou reduzindo esse “lucro duplo”, para chegar aqui com um preço bem menor.

Outra forma de baixar o preço de um produto é fabricá-lo localmente. Nesta semana, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou em seu site uma foto do Xbox One com o selo da Zona Franca de Manaus, indicando que o console pode já estar sendo fabricado em solo nacional. “Essa é a principal maneira de reduzir o valor, pois elimina as taxas de importação e a empresa ainda pode conseguir outros benefícios”, afirma Márcio da Silva. Até a noite da quarta-feira 23, a Microsoft não confirmara se o console já é fabricado no Brasil, mas, segundo a própria Anatel e a Superintendência da Zona Franca de Manaus, a empresa já tem autorização para tal.

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Só há um grupo de jogadores que ficou satisfeito com o preço do Playstation no Brasil: o dos estrangeiros. Os brasileiros não têm boa fama entre usuários de outros países, já que alguns mendigam dinheiro virtual, fazem chantagem e se unem para atrapalhar os outros nos jogos online. “Os brasileiros estragam tudo o que tocam”, escreveu um usuário em um fórum do site de games IGN, comemorando a muralha de R$ 4.000 que agora o separa dos nossos jogadores.