Edição nº2484 21.07 Ver edições anteriores

Shell procurou Dilma há um ano

A presença da Shell e da Total no leilão de Libra só surpreendeu analistas que não acompanham os movimentos recentes da indústria do petróleo

Shell procurou Dilma há um ano

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 A presença da Shell e da Total no leilão de Libra só surpreendeu analistas que não acompanham os movimentos recentes da indústria do petróleo. Com auxílio do senador Delcídio Amaral (PT-MS), executivos mundiais da Shell tiveram um encontro com Dilma Rousseff em Brasília, há cerca de um ano, quando deixaram claro que tinham intenção de recuperar mercado num país onde a empresa já teve posição bem destacada. Depois disso, as conversas se tornaram frequentes, até que a Shell decidiu entrar no consórcio vencedor. Como acontece em outros países, onde as duas empresas atuam em conjunto, a Total entrou como parceira.  

Cancelamento providencial
Escalado para uma sabatina no Senado antes da posse na Agência Nacional de Transportes Terrestres, na última hora o ex-ministro Paulo Passos cancelou o evento. Foi uma decisão prudente. Na surdina, senadores de legendas amigas pretendiam atacar o candidato com uma ação orquestrada para criar embaraço. Fogo amigo.

A falta que ele faz
Um dos principais aliados da reeleição de Dilma entre os empresários tem um diagnóstico definido para as difíceis relações entre o governo e o setor privado. “Este era um governo sob medida para um ministro como Antônio Palocci. Sem ele, tudo ficou mais difícil…”

Pelo telefone
Socialista de Sergipe, o senador Antônio Carlos Valadares pretendia votar contra o voto aberto na reunião da Comissão de Constituição e Justiça, na quarta-feira. Informado da decisão, Eduardo Campos mandou lembrar que acatasse a posição do partido, pelo voto aberto. Valadares concordou.

Charge

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Em assembleia-geral
O PSB já começou a investir em ferramentas tecnológicas para aproximar a executiva nacional das bases. Os filiados terão login e senha para acessar o site e opinar sobre temas que estão em votação no Congresso. Reunindo 10% de apoio, a bancada fechará questão, seja contra ou a favor.

Palanque paulista
Pesquisa interna indica que uma parcela do PSDB de São Paulo planeja abrir o palanque para Eduardo Campos, com um candidato do PSB na vaga de vice de Geraldo Alckmin. O nome de Márcio França é cotadíssimo, mas o sonhático Walter Feldman é contra.

Em águas profundas
Fazendo uma perfuração nas águas profundas das críticas do ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer ao leilão de Libra, aliados do governo apontam para uma combinação explosiva de motivações. Sauer foi demitido do posto pela própria Dilma, nos tempos em que era ministra, o que acrescenta um tempero pessoal às conhecidas diferenças políticas.

Festejo presidencial
Com leves batidas de mão na mesa de reuniões de uma sala ao lado do gabinete presidencial, Dilma Rousseff permitiu-se, recentemente, uma pequena comemoração no final de uma conversa com parlamentares aliados: “Daqui já saíram 12 acordos.”

Melodia à esquerda
O tom mais politizado do pronunciamento de Dilma Rousseff para comemorar o leilão do Campo de Libra é um traço novo na linguagem do governo daqui para a frente. Obrigado a confrontar-se com Eduardo Campos e Marina Silva, o  Planalto se prepara para uma disputa num terreno que nunca pisou antes, contra adversários que também têm uma história de esquerda. Com o mesmo cuidado, Dilma acompanhará detalhadamente cada lance das eleições internas do PT. O governo não tem dúvidas de que Rui Falcão será reeleito, mas irá prestar atenção a cada sinal de mágoa e a toda reclamação.      

Sopa de letrinhas
Em busca de apoio do Planalto para disputar a eleição no Pará, o senador e ex-ministro Jader Barbalho reclamou que por enquanto só tem palanque com o PT. “Também preciso daquela sopa de letrinhas”, disse, referindo-se ao pacote de legendas sem identificação que integra a base do governo no Congresso.

Toma lá dá cá

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 Em minoria no Congresso, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) defende voto fechado sempre que o Congresso for decidir pela nomeação de cargos de Estado, como ministros do STF:

ISTOÉ – Quando o voto fechado se justifica?
Ferreira –  Na nomeação para altos postos de Estado, o voto aberto permite pressões e até ameaças de retaliação. Neste caso, e só neste, deve ser fechado.

ISTOÉ – Mas não é pouco democrático?
Ferreira –
A ditadura do Estado Novo, em 1937, e a do AI-5, em 1969, exigiam voto aberto para tudo, para submeter os parlamentares.

ISTOÉ
– A escolha de Renan Calheiros para presidente do Senado teria sido possível com o voto aberto?
Ferreira –
Renan foi escolhido porque representa o Senado.

Rápidas
* Na penumbra da campanha pelo governo do Rio de Janeiro, surgiram sinais de que o petista Lindberg Farias pode oferecer a vaga ao Senado para o PSB, do neoinimigo Eduardo Campos.

* A crise interna vivida pela Polícia Federal afeta as estatísticas. Em Belo Horizonte, a média de apreensões de drogas, por exemplo, era de três toneladas por ano. Até julho de 2013, a marca estava próxima de zero.

* Pressionado pelos clubes brasileiros a anunciar uma saída para a dívida de mais de R$ 4,5 bilhões com os cofres públicos, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), avisou que não pretende perdoar ninguém.

* Pré-candidato ao governo de Goiás, Armando Vergílio esclarece que não foi, não é, nem pretende ser aliado do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Retrato falado

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“Políticos, como personalidades e celebridades, não têm direito à privacidade absoluta de um cidadão comum”

O deputado Newton Lima (PT-SP) está confiante na aprovação do Projeto de Lei 393/11, que derruba a censura prévia à publicação de biografias. A versão final do texto estabelece que crimes como calúnia e difamação tenham julgamento mais célere na Justiça. O petista avalia que FHC não foi avisado do polêmico artigo quando sancionou o Código Civil e agradece a Paula Lavigne, do Procure Saber, por levantar a sociedade contra a censura. “Ela destravou a tramitação do projeto na Câmara”, diz.

A voz da matriarca

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 Os cinco filhos têm suas opiniões, mas o voto de minerva da família Gomes – de Ciro e Cid Gomes – pertence à matriarca, Maria José. Ela pode decidir a eleição do Ceará, caso apoie uma aliança com o senador Eunício de Oliveira, do PMDB, candidato ao governo, com boa margem nas pesquisas. Há três meses, quando soube que o governador Cid Gomes não tinha candidato escolhido para sua sucessão, Dilma Rousseff perguntou se tinha alguma coisa contra Eunício. Cid, que foi aliado de Eunício em 2006 e 2010, disse que não. Ciro resiste.

Medida preventiva
Para evitar que parlamentares desviem verbas de gabinete para fazer propaganda eleitoral em 2014, a Mesa da Câmara decidiu exigir que todo serviço gráfico só seja autorizado após uma pesquisa de preços no mercado local. Não resolve todos os problemas, mas, na pior das hipóteses, permite algum tipo de controle.   

por Paulo Moreira Leite
Colaboraram: Claudio Dantas Sequeira, Izabelle Torres e Josie Jeronimo 


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