Economia & Negócios

O fim de um sonho

A fusão entre Oi e Portugal Telecom acaba com o plano do governo de criar a "supertele" brasileira

O fim de um sonho

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PODEROSO
Na nova empresa, nenhum acionista terá mais do que 10%,
mas quem dará as cartas será o moçambicano Zeinal Bava

O anúncio da fusão entre a brasileira Oi e a lusitana Portugal Telecom, na quarta-feira 2, decretou o fim de um antigo sonho do governo brasileiro: a criação de uma megaempresa de telefonia de capital nacional, que tinha a pretensão de atuar no mercado internacional. A ideia surgiu em meados de 2008, quando a Oi comprou, por R$ 5,8 bilhões, a rival Brasil Telecom. Para viabilizar o negócio, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto alterando a legislação do setor. Na época, não era permitido que uma mesma empresa atuasse em duas regiões diferentes. A expectativa era de que, com a Brasil Telecom, a Oi dominasse o mercado de telecomunicações, considerado estratégico pelo governo. Mas não foi o que aconteceu. Endividada e com problemas de gestão, a operadora foi perdendo espaço para as rivais. Hoje, ela é apenas a terceira empresa do mercado em faturamento, atrás de Vivo e Claro.

Desse casamento surge uma nova empresa, a CorpCo, com mais de 100 milhões de clientes em Portugal, no Brasil e na África e faturamento de R$ 37,5 bilhões em 2012. Unidas, as duas empresas esperam economizar R$ 5,5 bilhões com melhorias operacionais. O negócio ainda envolve uma reestruturação societária que deve pulverizar o controle da empresa. Isso significa que ela não terá um dono específico e nenhum acionista terá mais de 10% de participação. Mas, na prática, o comando da supertele estará com os portugueses, nas mãos do moçambicano Zeinal Bava, ex-presidente da PT e que assumiu a Oi em junho. Para realizar essa reestruturação, os investidores terão de fazer uma capitalização de até R$ 8 bilhões na companhia. Se tudo ocorrer como planejado, a CorpCo reduzirá seu endividamento para R$ 41,2 bilhões. O valor ainda é grande, mas já dá novo fôlego à operadora.

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 Problemas de gestão foram a principal barreira para a criação da supertele brasileira. “A Oi enfrentou muitas brigas entre os sócios”, afirma Arthur Barrionuevo, professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-EASP). “Isso foi agravado pelas mudanças no mercado de telecomunicações.” A telefonia fixa, que era o principal negócio da Oi e da Brasil Telecom, rapidamente perdeu espaço para os celulares e para a banda larga. A má gestão levou a um endividamento elevado, dificultando novos investimentos e jogando a empresa em um ciclo vicioso, que reduziu sua capacidade de competir com as rivais. Quebrar esse ciclo será o principal desafio da nova gestão.