Cultura

A aposta brasileira em Frankfurt

Impulsionada por um investimento de R$ 18,9 milhões, a produção literária contemporânea é o carro-chefe das editoras nacionais no ano em que a maior feira do gênero presta homenagem ao País

A aposta brasileira  em Frankfurt

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A maior e mais importante feira literária do mundo será verde e amarela – pela segunda vez, fato inédito nos últimos 25 anos. Como “Convidado de Honra”, o Brasil volta à Feira de Frankfurt, na Alemanha, 19 anos depois com um investimento grandioso, na ordem de R$ 18,9 milhões, e a proposta de inverter o jogo: passar de comprador a vendedor de direitos autorais no mercado internacional. Para isso, aposta em autores consagrados de várias gerações, como João Ubaldo Ribeiro, Ana Maria Machado, Nélida Piñon, Bernardo Carvalho e Luiz Ruffato e em novos nomes que despontam como promessas, a exemplo de Carol Bensimon (“Sinuca Embaixo D’Água”), Carola Saavedra (“Flores Azuis”), Daniel Galera (“Barba Ensopada de Sangue”) e Eduardo Spohr (“A Batalha do Apocalipse”). “A expectativa de crescimento com a exportação de direitos autorais é da ordem de 3% a 7% nos 12 meses subsequentes à feira”, disse à ISTOÉ a presidenta da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Pansa.

As obras nacionais que fazem parte do evento, com abertura na quarta-feira 9, são escolhidas pelas editoras estrangeiras encarregadas da tradução. Ao todo, serão mais de 2.500 obras traduzidas ou em via de tradução de 170 editoras brasileiras. “Finalmente temos algo mais forte que o Pelé! Vamos mostrar uma vitrine além das caricaturas e estereótipos”, comemora a ministra da Cultura, Marta Suplicy, numa referência ao pôster do evento, que mostra o ex-jogador.

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A produção jovem e a ficção contemporânea são apostas fortes no mercado internacional. “O Ruffato, em especial, está muito querido na Alemanha neste momento”, pontua Moema Salgado, coordenadora do Centro Internacional do Livro da Fundação Biblioteca Nacional. Para quem chega lá, a repercussão posterior é comprovadamente positiva. “Depois da feira do ano passado, Galera teve obra disputada até em leilão”, conta Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras, uma das poucas editoras brasileiras a ter estande próprio na feira.