Comportamento

Investindo em aventura

Para participar do Ecomotion/Pro, a maior corrida de aventura da América, atletas apostam em equipamentos de alto nível a fim de superar os mais de 600 km de prova

Investindo em aventura

SUOR Mountain bike (acima), trekking (abaixo) e canoagem (última): quartetos exploram

Trekking, canoagem, mountain bike e técnicas verticais, tendo como cenário a Costa do Cacau, na região sul da Bahia. Trinta e duas equipes de dez países, além do Brasil, e 128 atletas estão envolvidos na mais importante corrida de aventura da América, a Ecomotion/Pro, que começou sua décima edição no domingo 11, na Praia da Coroinha, na Orla de Itacaré. Mas explorar essas rotas preservadas num ritmo alucinante, e por meio de diversas modalidades esportivas, exige, além de intenso preparo físico e organização para superar os 620 quilômetros, um alto investimento financeiro dos integrantes das equipes. Os custos iniciais, dizem os participantes, podem variar entre R$ 3,5 mil, no caso do atleta amador, e R$ 10 mil, pois é preciso investir em equipamento para os diferentes esportes praticados. “Gasta-se muito porque os equipamentos são caros e diversos”, diz Naru de Moraes, da equipe Brou Aventuras/Makaíra/Kailash/Red Bull, na prova pela quarta vez.

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SUOR
Mountain bike (acima), trekking (abaixo) e canoagem (última):
quartetos exploram a paisagem da Costa do Cacau, no sul da Bahia,
em diferentes modalidades, superando seus próprios limites

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A organização empresta caiaque e remo em algumas provas, mas não disponibiliza a bicicleta. É importante, para esse tipo de corrida, que ela tenha 27 marchas e suspensão dianteira – detalhes que não saem por menos de R$ 2 mil, mas que podem chegar até R$ 30 mil. Os tênis, para o trekking, são um investimento mais baixo: em torno de R$ 300. E o remo gira em torno de R$ 1 mil. Além de todos os equipamentos, há outros instrumentos tão necessários quanto, como mochilas e roupas impermeáveis, para as trilhas de mar e rio, que não saem por menos de R$ 1,5 mil. Sem falar nos itens de segurança, que, no caso das provas de alto nível, formam uma lista extensa. São luzes, colete salva-vidas, kit de primeiros socorros e cobertores térmicos, entre outros. Além da taxa de inscrição, que foi de US$ 3,2 mil a US$ 4,2 mil.

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O regulamento do Ecomotion/Pro permite que os participantes levem dinheiro e comprem comida ou o que precisarem durante o percurso, que, algumas vezes, passa por uma vila ou cidade. Mas os atletas, que têm a obrigação de dormir ao menos oito horas, costumam carregar na mochila itens de higiene pessoal, já que não se toma banho da largada à chegada – período esse que pode durar até seis dias. Produtos como lenços umedecidos, desodorante e escovas de dentes tentam suprir o desconforto da falta de limpeza. Vale lembrar que cada quarteto, formado por esportistas com idade entre 21 e 49 anos, tem de ter pelo menos uma mulher. “Elas são nosso equipamento obrigatório”, dizem os participantes masculinos. Os times têm que definir seus caminhos com a orientação de mapas e bússolas e passar por 45 pontos de checagem em uma ordem pré-definida até a chegada. “Por alguns momentos, dá para parar e olhar a paisagem”, diz Trevor Voyce, atleta da Segate, atual campeã mundial e líder do ranking. “Gostei de ver as árvores de cacau e passamos em lugares que exalavam aroma de chocolate quente”, afirma o atleta, deixando claro que, mais do que cara, extenuante ou desafiadora, uma prova de aventura como o Ecomotion/Pro pode ser muito prazerosa.