Tecnologia & Meio ambiente

O melhor amigo do ambiente

Cães treinados viram arma poderosa para a preservação de outras espécies, o combate ao tráfico de produtos de origem animal e a limpeza das águas

O melhor amigo do ambiente

PRECISÃO Com seu faro, o cão Tucker ajuda a localizar

Ser o melhor amigo do homem já não é reconhecimento suficiente para os cães. Com seu faro privilegiado e disposição sem fim para o trabalho, eles têm ajudado a salvar tartarugas na Austrália, a prender traficantes de chifres na África, a preservar populações de orcas nos Estados Unidos e a levantar a dieta dos lobos-guarás no Brasil. Além disso, em troca de ração e água fresca, colaboram com a preservação de ecossistemas nos quatro cantos do mundo. São os melhores amigos do ambiente.

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PRECISÃO
Com seu faro, o cão Tucker ajuda a localizar e preservar orcas no Oceano Pacífico

Nos Estados Unidos, um grupo de quatro cães acaba de se formar em um treinamento para detectar marfim de elefantes ou chifres de rinocerontes. Levam seus focinhos apurados para flagrar cargas suspeitas em portos, aeroportos e em serviço de entregas. Nas horas vagas, os animais, que são treinados pelo Departamento Nacional de Agricultura, matam o tempo identificando frutas e plantas que tenham insetos ou doenças com potencial para prejudicar a agricultura no país.

Eficientes na terra, os cães também mostram seu valor na água. Para ajudar cientistas americanos, um cão chamado Tucker veste o colete salva-vidas e embarca mar adentro na busca de fezes de orcas. Com esse auxílio inestimável, fica bem mais fácil o acompanhamento de cardumes. Nas águas doces dos Grandes Lagos, na divisa dos Estados Unidos com o Canadá, os cães farejadores têm sido monitores da limpeza. Eles identificam vazamento de esgoto e dejetos humanos na área da praia e indicam a origem do material poluente.

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VETERANO
A dedicação do pastor alemão Sable pelo meio ambiente começou em 2007,
quando ele tinha 18 meses. Foi o primeiro cachorro treinado por Scott Reynolds para farejar
vazamentos de poluentes nas águas dos rios e lagos do Estado americano de Michigan

Grandes desenvolvedores das habilidades caninas, os americanos acabam exportando suas patas de obra. Com a ajuda dos cães do seu país, a bióloga Katherine Ayres, da Universidade de Washington, estudou por dois anos os mamíferos do Parque Nacional das Emas, em Goiás. A tarefa dos cachorros não era nada agradável: farejar as fezes de animais como lobos-guarás, pumas, jaguares, tamanduás e tatus ao longo de 800 km². Através de exames de DNA do material encontrado pelos cães, a pesquisadora conseguiu identificar o nível de hormônios, de estresse, presença de parasitas, quantidade de nutrientes e a saúde reprodutiva.

Também há cães brasileiros cuidando do ambiente. Carlos Roberto Teixeira, professor da Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp, lembra de cachorros que, no passado, eram usados para ajudar caçadores de onça em Mato Grosso. Hoje, têm a mesma função, porém com uma finalidade mais amigável. Facilitam a captura para que pesquisadores possam monitorar os felinos. “A raça usada é um mestiço de um tipo caçador americano com o fila brasileiro”, diz.

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OSSO
O cão Viper percorre uma esteira como exercício de treinamento para aprender
a detectar produtos selvagens ilegais que podem estar sendo contrabandeados
para os Estados Unidos. Principalmente marfim e chifre de rinoceronte

Morcegos e aves portugueses devem muito às pastoras alemãs Balita e Cassia. Elas foram treinadas para buscar e detectar animais mortos em parques eólicos e linhas elétricas numa região de serra ao norte de Lisboa. Com os dados coletados, foram criadas estratégias para proteger a fauna local. E hoje, as cachorras encontram bem menos cadáveres. Todo mundo quer ser o melhor amigo dos cães.

Foto: Tom Mackenzie/USFWS; Environmental Canine Services