Edição nº2480 23.06 Ver edições anteriores

Dilma aposta na economia

As pesquisas eleitorais trouxeram um novo ânimo ao governo e a seus aliados, mas outros fatores ajudam

Dilma aposta na economia

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As pesquisas eleitorais trouxeram um novo ânimo ao governo e a seus aliados, mas outros fatores ajudam. A economia voltou a ser um elemento a favor nas contas da reeleição. No encontro com líderes da base, Dilma Rousseff informou que, após uma recuperação relativa da produção industrial, o Planalto já trabalha com uma projeção de crescimento de 3,2% para 2013, o que seria um embalo vigoroso para 2014. Alertado sobre sucessivas previsões otimistas que marcam a gestão econômica de Dilma, um senador garante: “É uma visão pé no chão.” Vale anotar e conferir.

Resistência no Congresso
Até recentemente, o Planalto calculava que seria preciso mobilizar a base para impedir a derrubada de apenas quatro vetos presidenciais, aqueles que trancam a pauta. Mas descobriu que a ameaça é maior. O aliado Renan Calheiros (PMDB-AL) colocou 11 vetos para serem apreciados. Diz que o Planalto precisa azeitar a relação com o Congresso.

Dois pesos, duas medidas
O ministro Raimundo Carreiro, do TCU, decidiu suspender os supersalários dos servidores da Câmara que ganham acima do teto. Ex-secretário-geral da Mesa do Senado, Carreiro não mexeu, porém, nos vencimentos dos funcionários da sua casa de origem.

Restrição alimentar
O chanceler Antonio Patriota proibiu os diplomatas da embaixada brasileira em Assunção de irem à recepção de despedida do presidente Federico Franco, na quarta à noite. Ele mesmo jantou num restaurante da capital paraguaia e preferiu fazer um brinde ao ex-presidente Lugo.

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Noiva anticorrupção
Em busca de novos nomes para 2014, dois partidos disputam o nome de Eliane Calmon, a juíza que comprou briga para moralizar o Judiciário. O PDT do Distrito Federal lhe ofereceu a vaga de candidata ao governo. O PSB quer lançar a ministra para o Senado, pela Bahia.

A céu aberto
Dezenas de prefeitos passaram a semana passada peregrinando por ministérios em Brasília, para pedir ajuda na implantação da lei de resíduos sólidos. A lei, aprovada em 2012, obriga prefeituras a substituir lixões por aterros sanitários até 2014, mas não há dinheiro para as obras.

Sandálias da humildade
O clima pesado que marcou a reunião da presidenta com os líderes na volta do recesso contrastou com a postura “paz e amor” do encontro anterior. Os parlamentares saíram do Planalto achando que o crescimento de 6% na última pesquisa fez Dilma subir no salto. “Ela estava andando de sandália rasteira, agora está com salto de 6 centímetros”, brinca um líder aliado.

De novo a “Grampolândia”
Até profissionais da espionagem se espantaram com o volume de 16 mil grampos telefônicos solicitados pelo Ministério Público. O número, que pode ser maior até, foi apurado pelo conselheiro Fabiano Silveira, que está trocando o CNMP pelo CNJ.

Esqueleto de Covas
O escândalo do Metrô de São Paulo faz ressurgir velhas intrigas nos bastidores do poder. Em 1999, Renan Calheiros, então Ministro da Justiça, suspendeu uma licitação para aquisição de passaportes. Alegou que Mario Covas Neto fazia lobby para as empresas Tejofram e Siemens, que ganharam o contrato de quase R$ 200 milhões. Ele levou o caso a FHC e à PF, mas nenhuma providência foi tomada. Renan perdeu o cargo logo depois. A Tejofram é doadora recorrente de campanhas do PSDB e até hoje mantém contratos com o governo paulista.

Deputado 007
Um ex-colaborador da campanha presidencial de Garotinho de 2002 lembra de episódio que ilustra a habilidade do deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) de escapar dos ataques inimigos. “Esperávamos Cunha para a gravação num estúdio em Santa Tereza. Ele chegou horas atrasado, a bordo de sua Cherokee cravada de balas. Disse que havia tido um contratempo.”

Rápidas
* Enquanto estudantes faziam uma roda no salão verde da Câmara para festejar a votação dos royalties do petróleo, na quarta-feira 14, um dirigente da UNE se unia ao coro dos perplexos com a desarticulação do governo. Seu comentário: “O governo perde até quando poderia vencer.”

* O senador José Sarney pede urgência na apreciação do PL 1.376/2003, que determina a esterilização de cães e gatos como política de controle de natalidade. No ofício, denuncia a execução de animais pelas Prefeituras de Santa Cruz do Arari e Jacareacanga no Pará.

* A Câmara Legislativa do Distrito Federal implantou um sistema de consulta à prestação de contas do GDF. O problema é que o programa é incompatível com o anterior, o que impede os parlamentares de consultarem a execução orçamentária anterior a 2001.

* O encontro entre o líder do PMDB Eunício Oliveira, Dilma e o ex-presidente Lula causou ciúmes a Renan Calheiros. O presidente do Senado se sente preterido desde que o governo vetou sua indicação para a Anvisa e deu aval a de Eunício.

Toma lá dá cá

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Senador Paulo Paim (PT/RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos

ISTOÉ – O sr. diz que o PL 4.330/2004, que regulamenta a terceirização, vai promover o trabalho escravo?
Paim
– Esse projeto é um retrocesso histórico para a legislação trabalhista. O número de empresas aumentou 400% e o de fiscais do trabalhou caiu de 3 mil para 1,5 mil. Até aqui no Congresso os terceirizados sofrem.

ISTOÉ
– Mas sem regulamentação não é pior?
Paim –
O pior dos mundos é não regulamentar. É um dado assustador, de cada dez funcionários de órgãos federais, oito são terceirizados. O projeto tem que assegurar os direitos dos celetistas.

ISTOÉ – O governo apoia o projeto como está. Está disposto a encarar o Planalto?
Paim –
Não vou brigar com o governo, mas nós temos que construir um texto melhor, ganhar no acordo ou no voto. O apoio popular é muito importante nesse momento.

Retrato falado

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“Dilma não pautava o Congresso quando tinha 70% de aprovação. Vai pautar agora com 36%?”

Num encontro de deputados reunidos para discutir o que fazer com as futuras votações do Congresso, o líder do PT José Guimarães (PT-CE) pediu a palavra para dizer que iria fazer um “apelo em nome da presidenta Dilma”. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, rebateu. Para o peemedebista, a presidenta não está em seu melhor momento para impor a agenda palaciana aos parlamentares.

Casca de banana

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O Palácio vetou na última hora a indicação de Pedro de Camargo Neto para o cargo de secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura. Descobriu que o indicado pelo PMDB responde à ação do Ministério Público de São Paulo por
dano contra a flora. Ele é criador de gado.

Mensalinho alagoano
Quebra do sigilo da folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Alagoas revelou esquema de repasse paralelo de recursos do orçamento para comissionados e apadrinhados políticos dos deputados estaduais. O detalhamento dos depósitos feitos pela conta da Assembleia mostra que pelo menos 60 funcionários receberam R$ 7 milhões entre 2010 e 2012. A PF vai pedir
a quebra do sigilo bancário dos servidores.

Fotos: alan marques/folhapress; gustavo miranda/ag. o globo;
andré corrêa/pt; gustavo bezerra/pt; stf; Karime Xavier/AG.ISTOÉ
Colaboraram: Claudio Dantas Sequeira, Izabelle Torres e Josie Jeronimo


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