Cultura

A reinvenção dos clássicos

Fábulas, contos de fadas e obras modernas ganham novas leituras de autores da estirpe de Umberto Eco e Jonathan Coe

A reinvenção dos clássicos

palavra de especialista Primeiro livro da série, ambientado na Idade Média, é contado por Umberto Eco

Versões resumidas de clássicos da literatura costumam ser vistas como divulgação burocrática de obras-primas. A coleção “Save the Story” (Salve a história), que começa a ser lançada por aqui pelo selo Galera da editora Record após fazer sucesso na Itália, evita essa pecha, já que não se propõe a ser um mero subproduto do original. Reescritas por consagrados autores vivos, as pequenas obras são, na verdade, recriações do livro anterior, segundo a linguagem contemporânea. Já se encontram nas livrarias “Os Noivos”, de Alessandro Manzoni, e “A História de Gulliver”, de Jonathan Swift, o primeiro contado por Umberto Eco e o segundo por Jonathan Coe. Na sequência, estão previstas as edições de “Crime e Castigo” e “Rei Lear”, entre outras.

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PALAVRA DE ESPECIALISTA
Primeiro livro da série, ambientado na Idade Média, é contado
por Umberto Eco (acima), um dos maiores conhecedores do período

Por trás do empreendimento está o escritor italiano Alessandro Baricco, que marca presença com a sua versão de “Don Giovanni”. À frente da Scuola Holden, em Turim, onde dirige cursos de escrita criativa voltada para roteiristas, escritores, autores de quadrinhos e de videogames, ele acredita que a apropriação das obras, feita por nomes de peso, pode seduzir os jovens. Outra aposta é subjacente: a do simples gosto pela fabulação – e é aqui que o leitor adulto se sente fisgado.

Fãs do estilo erudito de Umberto Eco, por exemplo, serão instigados a conferir a sua releitura de um romance histórico do século XIX (desconhecido do leitor não italiano), sobre um casal de camponeses que foge do jugo de um senhor de terras, apaixonado pela donzela. Ao apresentar a corja a serviço dos nobres, apelidados de “bravos”, Eco faz analogia com tipos atuais. “Hoje, seriam chamados de seguranças, mas atenção: eram uns verdadeiros capangas que haviam aprontado poucas e boas.” Cada título foi escolhido pelo próprio “contador”, que assim mergulha em sua memória afetiva. Em se tratando de um time como o selecionado, não deixa de ser uma boa diversão também para leitores escolados.

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