Tecnologia & Meio ambiente

Unidas pelo biocombustível

A Boeing monta seu primeiro centro de pesquisas na América do Sul para, junto com a Embraer, criar um querosene renovável, principal aposta da indústria aeronáutica para deixar de ser líder em poluição

Unidas pelo biocombustível

PRONTOS Linha de montagem do Boeing 737, que não perde desempenho ao ser abastecido com bioquerosene, assim como o Embraer 170 (abaixo) ()

De um lado, a americana Boeing, uma das maiores produtoras de aeronaves do mundo. De outro, a brasileira Embraer, líder na fabricação de jatos regionais. Na frente, o desafio que a indústria aeronáutica se impôs de, até 2020, neutralizar o crescimento da emissão de dióxido de carbono. Entre as várias possibilidades de atingir essa meta, a aposta que tem se mostrado mais promissora é a do biocombustível, campo em que o Brasil tem tecnologia de ponta. E é isso que está unindo as indústrias.

chamada.jpg
PRONTOS
Linha de montagem do Boeing 737, que não perde desempenho ao
ser abastecido com bioquerosene, assim como o Embraer 170 (abaixo)

SUSTENTA-01-IE-2281.jpg

A empresa americana irá instalar um centro de pesquisa em São José dos Campos (SP), cidade onde fica a sede da Embraer. Ali, 12 profissionais, entre cientistas e pesquisadores, irão desenvolver combustíveis mais limpos e renováveis. Não vão começar o trabalho do zero. A Embraer e outra parceira, a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), já avançaram bem no estudo de formas de viabilizar a produção de biocombustível. A filial paulista será o sexto centro de pesquisa de combustíveis alternativos da Boeing. Os outros ficam em países como China, Austrália e Espanha. É uma estratégia pensada para ter como abastecer aviões em todos os cantos do mundo.

“O mais interessante é que podemos valorizar a economia local, priorizando as ofertas regionais. No Brasil, a fonte que dará origem ao bioquerosene pode não ser a mesma que a da China”, diz o vice-presidente do centro de pesquisa da Boeing no Brasil, Al Bryant. Além de melhorar o ambiente, a empresa acredita que combustíveis sustentáveis podem ajudar a fechar a conta no fim do mês. O abastecimento das aeronaves responde por 40% dos custos das operações. Uma fonte alternativa pode reduzir esse gasto. Isso, claro, desde que ela seja economicamente viável. Essa viabilidade é o maior desafio que Boeing, Embraer e concorrentes têm pela frente.

SUSTENTA-02-IE-2281.jpg
EM BREVE
Até 2016 o Boeing 787 será abastecido com bioquerosene brasileiro

O Brasil está um passo adiante devido à bem-sucedida experiência com o etanol dos carros e pela fartura de matéria-prima. Cana-de-açúcar , soja e eucalipto são os ingredientes mais comuns na receita nacional de biocombustível. Mas qualquer vegetal que contenha açúcar, amido e óleo é adequado para a produção de bioquerosene. Se tudo sair como o planejado, já em 2016 os tanques dos aviões da Boeing irão exalar aromas com um toque de cana.

2.jpg

Fotos: Dave Williams/AP Photo; Embraer/AP Photo; Ed Turner