Cultura

Como fazer barulho na internet

Sucesso na rede, o carioca Felipe Neto lança manual para se dar bem no filão do humor digital e acredita que faz parte de uma nova geração de artistas, mais pragmáticos

Como fazer barulho na internet

VIRAL Felipe Neto (ao centro), com a equipe do Parafernalha: 175 milhões de visualizações ()

Não é novidade que a internet está se tornando uma fábrica de novos talentos e também uma mina de dinheiro, especialmente na área do humor. Mas a receita para se destacar em meio a milhões de vídeos provenientes dos quatro cantos do mundo ainda é desconhecida. Com um único canal no site YouTube e 48 esquetes postados, o carioca Felipe Neto, 25 anos, conseguiu acumular mais de 175 milhões de visualizações, resultado de dar inveja em qualquer pop star. Ele não tem fórmulas, mas sabe provocar barulho na rede. “Acham que eu sou um gênio por criticar os adolescentes no ambiente que eles dominam (internet), mas não é verdade. Sei que eles querem ouvir isso”, diz o humorista criador do canal “Não Faz Sentido”, da produtora Parafernalha e da primeira network brasileira do YouTube, a Paramaker. O sucesso o levou a participações no “Globo Esporte” e ao canal por assinatura Multishow, onde tem um programa.

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Felipe Neto (ao centro), com a equipe do
Parafernalha: 175 milhões de visualizações

Segundo Neto, os vídeos que se tornam virais no Brasil sempre trazem uma visão crítica dos acontecimentos. As dicas do jovem expert estão no livro “Não Faz Sentido – Por Trás da Câmera” (Casa da Palavra), com lançamento em agosto. Um dos precursores do profissionalismo no humor digital, ele acredita que o YouTube está criando uma nova leva de profissionais de entretenimento, bem pragmáticos: têm uma ideia e a executam logo, sem muita censura. Seus primeiros vídeos falavam de assuntos que o incomodavam, como os modismos de adolescentes. Depois da reação de fãs raivosos – como são, normalmente, os internautas –, ele aprendeu que há males que vêm para o bem, mesmo na rede. Ou seja, é preciso provocar para ser visto, e vale até a provocação negativa. 

Os posts críticos, ensina ele, também divulgam o seu conteúdo. “Há um excesso de raiva nos que fazem comentários pelo fato de estarem protegidos pelo anonimato. Mas as pessoas estão aprendendo a fazer críticas mais fundamentadas”, diz ele. 

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Manter-se engraçado e surpreendente sempre foi a sua maior preocupação – e essa é outra dica. Ele pretende dar ponto final no “Não Faz Sentido”, provavelmente este ano, embora não especifique a data. Em compensação, já está gestando o novo projeto da network, que cresce exponencialmente. Criada há oito meses, a Paramaker superou em 300% as projeções empresariais.