Edição nº2471 20.04 Ver edições anteriores

O dilema do PT

Por maior que seja a pressão interna, o “Volta, Lula” dificilmente se concretizará

A questão é matemática. Segundo o Ibope, Dilma Rousseff teria hoje 30% das intenções de voto, contra 22% de Marina Silva, 13% de Aécio Neves e 5% de Eduardo Campos. Ou seja: o PT ficaria com 30% e seus adversários, juntos, somariam 40%, levando a disputa para o segundo turno. Com Lula, os números seriam diferentes: 41% para o petista versus 18% de Marina, 12% de Aécio e 3% de Campos. Assim, o PT teria uma margem ainda segura de oito pontos em relação aos candidatos da oposição, garantindo a vitória em primeiro turno.
Significa, então, que Lula substituirá Dilma na cédula eleitoral em 2014? Por maior que seja a pressão da base aliada e, sobretudo, do próprio PT, a resposta é: provavelmente, não. Até porque essa operação política traria muito mais riscos do que certezas – além de ser desnecessária. Basta lembrar que, em 2005, um ano antes de sua reeleição, Lula viveu uma situação muito pior, com o escândalo do chamado “mensalão”, e ainda assim conseguiu superá-la.

Se o PT trocasse as cartas do jogo neste momento, qual seria o discurso? O de que a escolha feita pelo próprio Lula – e por mais ninguém – não deu certo? Será que o eleitor estaria disposto a aceitar esse tipo de argumento? Além disso, as baterias da oposição, hoje dirigidas à presidenta Dilma, e centradas na economia, naturalmente se voltariam contra Lula. E nada garante que seus números, numa situação de vidraça, seriam melhores do que os de sua sucessora.

O que amplia o dilema do PT é o fato de Dilma ter caído, mas não a ponto de disparar o alerta vermelho. Em todas as simulações, ela venceria seus oponentes num segundo turno. Trocá-la, nesse contexto, seria uma violência sem precedentes num regime político em que a reeleição existe justamente para referendar – ou não – o mandato de um governante.

A seu favor, o governo federal conta com vários pontos positivos, que podem ser mais bem explorados, como o desemprego baixo, num mundo em crise, um quadro econômico que está longe de ser catastrófico e conquistas importantes, como a redução das tarifas de energia. Além disso, a imagem pessoal de Dilma permanece positiva junto à maioria da população – e pode melhorar se o programa Mais Médicos vier a ser compreendido e bem-sucedido.

Por isso mesmo, Lula tem sido o primeiro a silenciar o coro dos que pedem sua volta. “Não adianta bater na minha porta”, disse ele, na última quinta-feira. “Eu tenho candidata.” Gritar pelo “Volta, Lula” é algo que, hoje, só interessa à oposição.
 


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