Economia & Negócios

Lucros de uma boa ideia

Sacadas simples e originais podem virar negócios rentáveis, como comprovam quatro novos e criativos empreendedores do Rio

Lucros de uma boa ideia

COM ESPÍRITO

Uma boa ideia tem, sim, seu preço. Sacadas originais com ambição de tornarem-se negócios lucrativos chegam todos os dias ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) . Por ano, sete mil ideias inovadoras são registradas com pedido de patente de pessoas residentes no Brasil. E cerca de três mil delas acabam recebendo a classificação de “modelo de utilidade”, que pode ser a arrancada para uma empresa de sucesso. O especialista em seleção de empreendedores do Instituto Endeavor Brasil, Luiz Manzano, diz que são justamente ideias simples, mas diferentes das oferecidas no mercado, que conseguem êxito instantâneo. “As mais certeiras são as que solucionam os problemas das pessoas”, explica Manzano.

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COM ESPÍRITO
A cada dia, Raphael Krás vende nas praias 300 "hareburger",
o sanduíche feito para quem gosta de meditar

O Carteiro Amigo é um empreendimento que se encaixa com perfeição na observação de Manzano. Trata-se de um serviço de entrega de correspondências e encomendas que surgiu na favela da Rocinha, na zona sul carioca, e virou franquia em outras três comunidades. Sila Vieira e Carlos Pedro da Silva perceberam, em 2001, que os milhares de moradores da favela não tinham como receber correspondências e entregas de compras. Resolveram montar então um ponto para recebimento “de tudo para todos os sem-endereço fixo”. Hoje, a receita mensal de R$ 42 mil vem dos três mil cadastrados da Rocinha, o que é engordado com os 5% do faturamento cobrado pelos franqueados. “O empreendedor precisa conhecer bem o local e nós damos todo o treinamento”, diz Vieira, que se mudou da Rocinha para uma casa na zona oeste do Rio.

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COM CARINHO
Fabiano Amaral lançou as caixas cheias de
surpresas para os bichos de estimação

Se não é fácil inventar uma necessidade, mais difícil ainda pode ser criar em cima do que já existe. Foi isto, porém, que fez o carioca Raphael Krás, vendedor de sanduíche natural na praia de Ipanema, na zona sul da cidade. Ele começou com um tal de hareburger, que levaria “alegria e luz” entre os ingredientes. Alegria e luz? Sim, Krás envolveu preceitos da meditação em seu produto, embora não pertença a nenhuma seita ou religião. E encontrou uma multidão que pensa como ele. Começou vendendo oito sanduíches por dia e hoje vende 300, cada um a R$ 13. Krás continua percorrendo as areias da praia com mochila nas costas, embora seu faturamento mensal já chegue a R$ 90 mil e ele tenha uma moderna loja em Ipanema e prepare a abertura de outra loja no Centro. Uma fábrica – “meu esquema industrial”, como diz – também está em fase de implantação. Nela ele produzirá suas outras invenções, como suco de laranja chamado “hare alegria”, a “hare salad mix” (de folha e castanha), sobremesas e novos sanduíches.

Outro pequeno empreendedor que faz sucesso é o economista carioca Fabiano Amaral, 36 anos. Ele trocou a carreira no ramo de informática pela venda de assinaturas de produtos para cães e gatos, que batizou de DogBox. O dono do animal faz uma assinatura semestral e durante esse período recebe uma caixinha feita exclusivamente para seu bichinho com surpresas, como cachecol, biscoitos, brinquedos, mordedores, sapatinhos etc., de acordo com o perfil do animal. “As pessoas gastam um bom dinheiro com seus ‘filhotes’”, diz Amaral. Ele iniciou o negócio em setembro do ano passado com R$ 70 mil e já recebeu uma proposta de R$ 250 mil por 20% da empresa. Ou seja, seu negócio está avaliado em R$ 1,25 milhão.

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DOCES E CARTAS
Acima, Quinderé, que criou o Brownie do Luiz, aproveitando lascas do doce.
Abaixo, Sila Vieira e Pedro da Silva, os inventores do Carteiro Amigo

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Também com pouco dinheiro no bolso, o jovem empresário Luiz Quinderé, 23 anos, iniciou seu empreendimento vendendo brownie no colégio, aos 15 anos. A receita do doce era de uma amiga e sua empregada doméstica preparava as porções. A sacada veio quando ele percebeu que os clientes adoravam as casquinhas do bolo e que ele poderia reaproveitar as latas de achocolatados para embalar as rebarbas de seu produto. O doce virou o “Brownie do Luiz” e deslanchou. Luiz passou a vender para mais de 50 estabelecimentos uma média de mil brownies por dia. “Estamos mudando a fábrica de um imóvel de 20 metros quadrados para outro de 200 metros quadrados. Vamos abrir a primeira loja, em Laranjeiras, na zona sul carioca, e ela será um modelo para a franquia que vamos criar”, revelou.

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Fotos: Orestes Locatel, Eduardo Zappia – Ag. Istoé