Cultura

SBT infantil

Enquanto as demais emissoras se distanciam dos programas para crianças, a tevê de Silvio Santos aposta no público mirim e atinge a vice-liderança pela manhã e à noite

SBT infantil

ESCOLINHA O orfanato de -Chiquititas-: tentativa de repetir o sucesso de -Carrossel- (Mariane Lima/SBT)

O SBT vem investindo na programação voltada para crianças, enquanto outros canais, como a Rede Bandeirantes e a Rede Globo, eliminam aos poucos as atrações infantis da grade. Resultado: a emissora de Silvio Santos alcançou a vice-liderança em audiência e consolida o público mirim como alvo principal de sua estratégia comercial. Atualmente, exibe pela manhã “Bom Dia & Cia”, em que os palhaços Patati Patatá e Bozo se revezam entre as atrações. Na parte da tarde, ataca com séries americanas dos anos 1980 voltadas para o segmento infanto-juvenil e, no horário nobre, com as novelas “Carrossel” e “Chiquititas”, que estreia na segunda-feira 15 – sendo que a primeira chega ao final duas semanas depois. A grade infantil já bateu em audiência o programa matinal “Encontro com Fátima Bernardes”, da Globo, e à noite costuma perder apenas para o “Jornal Nacional”. “A direção decidiu pela nova adaptação de “Chiquititas” com base nas pesquisas que indicavam a carência de programação do gênero no horário nobre”, diz Íris Abravanel, autora das versões e diretora do núcleo infantil.

chamada.jpg
ESCOLINHA
O orfanato de "Chiquititas": tentativa de repetir o sucesso de "Carrossel"

A versão nacional da novela custará R$ 54 milhões e seguirá na linha enredo ingênuo e musicais.
“A previsão é de que os números vão superar os ótimos resultados da antecessora”, estimou o diretor comercial Glen Valente. Especialmente em razão do aumento da publicidade e da renda extra com licenciamento de produtos e mais televisores sintonizados.
O dado surpreendente é que, entre os espectadores das novelinhas do SBT, mais da metade – 53% – é maior de 25 anos.
“O canal ainda atende pelo menos metade da população, que não tem tevê por assinatura”, afirma Dirceu Lemos, professor da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).

IEpag94_Televisao_ok_.jpg

No novo cenário em que o SBT nada de braçada, mudanças de hábitos são sensíveis. Para o crítico Ricardo Feltrin, a aposta da Globo na programação paga (com o canal Gloob) responde a um segmento: “Ela acha que as crianças com poder aquisitivo, que podem comprar brinquedos, estão no cabo.” Do seu lado, o SBT se mantém conservador. Mas o que desagrada parte dos telespectadores é a escolha das séries americanas, reprisadas à tarde.
“São seriados velhos. Se melhorasse a qualidade da programação, a audiência seria muito melhor”, afirma Feltrin.