Comportamento

São Paulo: uma história em postais

Livro faz sucesso com a arqueologia das paisagens que já foram o orgulho dos paulistanos

Um colecionador de cartões-postais, João Emílio Gerodetti, 60 anos, e o jornalista Carlos Cornejo, 38 anos, mostraram que postais são mais do que simples souvenirs turísticos – são documentos históricos e fontes preciosas de informação. Seu livro, Lembranças de São Paulo – a capital paulista nos cartões-postais e álbuns de lembranças, registra a transformação da metrópole por meio de mais de 400 postais. É um sucesso, apesar de a obra estar à venda (R$ 96) apenas nas livrarias paulistanas. A primeira tiragem, de quatro mil exemplares, está quase esgotada, mas uma segunda edição está a caminho, com distribuição nacional. Gerodetti atribui o sucesso do livro ao fato de mostrar imagens que a maioria dos paulistanos não conheceram. “A descoberta os leva depois a compararem as vistas dos postais com a cidade atual.”

E há muito o que comparar. O Viaduto do Chá, construído pelo francês Jules Martin e inaugurado com festa em 1892, tornou-se um símbolo da cidade moderna. O nome deve-se às chácaras que cultivavam chá no Vale do Anhangabaú. O viaduto era de ferro e pagavam-se três vinténs de pedágio para atravessá-lo. Para dar vazão ao trânsito de pedestres e automóveis que cruzavam o Chá, foi aberta em 1913 a Praça do Patriarca, que por muito tempo foi o coração da cidade. A rua São João Batista foi alargada em 1911 e virou a avenida São João.

São Paulo parecia mesmo uma cidade francesa e seus postais mostram o que ela tinha de melhor, o que deixava seus habitantes orgulhosos. São paisagens arquitetônicas, praças, monumentos, cenas pitorescas do cotidiano, bondes, charretes, carros antigos e pessoas bem vestidas caminhando por ruas tranquilas. Retratos de um tempo que ficaria esquecido não fosse a dedicação dos fotógrafos de cartões-postais, quase sempre forasteiros. “Na verdade, parece que os estrangeiros conseguem ver com maior perspicácia aquilo que para o nativo é demasiado familiar, comum e cotidiano”, escrevem os autores.