Comportamento

O gato subiu no telhado

Documentos de Sandro Hiroshi, do São Paulo, servem para a CBF bagunçar o Brasileiro

Sandro Hiroshi é como o defletor da Ferrari. Não se sabe ao certo qual benefício trouxe ao São Paulo, mas tornou-se o pivô de uma grande confusão que pode colocar tudo a perder. Destaque do campeonato paulista pelo Rio Branco, de Americana, ele acabou contratado pelo São Paulo, em junho, como promessa de solução para o ataque no atual Brasileiro. Não foi. Marcou dois gols nas 16 partidas que disputou, um deles na goleada de 6 x 1 sobre o Botafogo do Rio. Ameaçado de cair e disposto a recuperar os pontos desta partida, o time carioca apelou, então, para a Justiça Desportiva. Argumentou que havia irregularidades nos registros do jogador e, assim, convenceu a Comissão Disciplinar da CBF. Usou como base um dossiê, que reunia informações sobre a passagem de Hiroshi pelo Tocantinópolis, em 1994, quando ainda era amador. O clube de Tocantins reclama parte dos US$ 2,5 milhões pagos pelo São Paulo ao Rio Branco. O Estatuto do Jogador, da Fifa, diz, porém, que o clube tem um ano para reclamar seus direitos sobre os atletas. No caso do Tocantinópolis, passaram-se cinco.

No meio da papelada, havia ainda a cópia de uma certidão de nascimento que apontava como data de nascimento de Hiroshi, não 19 de novembro de 1980, como registra sua carteira de identidade, mas 19 de novembro de 1979. Hiroshi seria, então, o que na gíria do futebol se chama de “gato”, jogador mais velho do que a própria idade oficial, uma prática comum nos clubes pequenos e nos países africanos. “Isto em nada tem a ver com o São Paulo poder ou não utilizá-lo no Brasileiro”, esclarece o advogado João Zanforlin, do Rio Branco. Na esteira do Botafogo, outros times querem tirar uma casquinha e ganhar os pontos das partidas contra o São Paulo, que deve recorrer da decisão para escapar do rebaixamento. A seu favor conta o fato que outros departamentos da CBF consideraram o pedido do Tocantinópolis indevido e registrarem Hiroshi como atleta são-paulino. Ao que tudo indica, é mais uma trapalhada da entidade, uma disputa interna que deve prejudicar a imagem da própria CBF.