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Lula jogará nos bastidores

Lula e Dilma já acertaram a divisão de trabalho para o ano que vem. Candidata à reeleição, a presidenta irá cuidar do palanque presidencial, ao lado do candidato a vice Michel Temer

Lula jogará nos bastidores

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Lula e Dilma já acertaram a divisão de trabalho para o ano que vem. Candidata à reeleição, a presidenta irá cuidar do palanque presidencial, ao lado do candidato a vice Michel Temer. Lula vai atuar nos bastidores, montando palanques estaduais capazes de cimentar uma grande unidade nacional. Garantida a unidade entre PT e PMDB, os dois grandes partidos do governo, Lula tentará montar acordos regionais para atrair legendas médias, como PDT, PRB, e PP. Os dois acreditam que candidaturas ao Senado – haverá só uma vaga em 2014 – e aos governos de Estado podem ter um peso decisivo. Além de agrupar adversários, Lula tentará usar sua autoridade para enquadrar o PT quando for necessário.

Planalto teme Eduardo Campos
Habituado a encarar com relativa tranquilidade um confronto com Aécio Neves em 2014, o Planalto já começa a dar sinais de desconforto diante do crescimento de Eduardo Campos junto a várias fileiras não tucanas da oposição. Considera-se que, caso resolva disputar a Presidência, o governador de Pernambuco pode se transformar num adversário muito mais perigoso do que Aécio. Pode falar como antigo aliado de Lula e reivindicar os votos do eleitorado nordestino.

Pimentel espera Aécio
O ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior, está resolvido a entrar na disputa pelo governo de Minas Gerais. Ele acha que as feridas do PT de Minas foram curadas depois da campanha de Patrus Ananias para prefeito de Belo Horizonte. A decisão pode mudar, porém, se ocorrer uma mudança no cenário nacional e, em vez de concorrer ao Planalto, o tucano Aécio Neves resolva disputar o Palácio da Liberdade.

Charge

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Cofres abertos para prefeitos
O governo pretende acalmar os prefeitos que desembarcam em Brasília nesta semana para um encontro de três dias. O Planalto vai jogar duro com quem precisa renegociar dívidas passadas mas pretende até ajudar prefeitos interessados em dinheiro para construir creches, escolas, Unidades de Pronto Atendimento e outros investimentos de cunho social. Brasília acredita que, se tudo der certo, os prefeitos ajudarão o governo a convencer os deputados de suas regiões a aprovar a Medida Provisória que propõe a destinação de 100% dos Royalties do Pré-Sal para a Educação.

Campanha na OMC é para valer
O governo acredita que o diplomata Roberto Azevedo tem chances reais de se tornar o novo secretário-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e está mobilizado para fazer a candidatura crescer. Ministros de todas as áreas já foram instruídos a pedir votos por Azevedo em viagens internacionais. A própria Dilma resolveu aproveitar os encontros com chefes de Estado para pedir apoio.

Apoio americano
Brasília acredita que, até por solidariedade regional, numa primeira etapa das negociações o governo dos EUA vai se mostrar fechado com, o candidato Hermínio Blanco, do México, para assumir a OMC. Mas Brasília espera apoio de Washington caso Hermínio saia do jogo.

Sem acordo
Um grupo de parlamentares vai esperar o retorno do presidente do STF, Joaquim Barbosa, para discutir uma saída alternativa à aprovação de um novo método de distribuição do Fundo de Participação dos Estados (FPE), como mandou o Judiciário. A ideia é propor ao presidente do Supremo uma transição para os próximos anos, em que se mantenham os valores repassados em 2012 e se distribuam o que ultrapassar esse piso pelos critérios de tamanho da população e renda domiciliar. Quem falou com Barbosa sobre o assunto adianta que ele não será simpático à proposta.

Superávit vai cair
O governo admite que a “criatividade” para esconder o avanço nos gastos causou um desgaste desnecessário. Vista pelo mérito, no entanto, a mensagem está dada. Disposto a garantir de todas as maneiras o crescimento em 2013, o governo tomou uma decisão drástica: a meta de superávit primário vai cair.

Retrato falado

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“Acho que será muito bom fazer com que a capital da
República volte a ser subordinada ao governo central”

O deputado federal Francisco Escórcio (PMDB-MA) já tentou criar o Estado do Planalto Central, ideia que já fora rejeitada no Congresso. Agora, Escórcio quer acabar com eleições para governador do Distrito Federal. Em seu projeto, o governador seria nomeado pelo Presidente da República, como acontecia antes da Constituição de 1988.

Rápidas
* Na gaveta há um ano e meio, no momento em que Eduardo Campos anunciou apoio a Júlio Delgado (PSB-MG) para presidente da Câmara, o TCU recebeu um pedido de informações sobre uma auditoria na Companhia Energética de Pernambuco.

* O Planalto avisa que tem pressa em aprovar nomes para as agências reguladoras. Pelo menos 11 vagas estão abertas e só poderão ser preenchidas depois da escolha do presidente da Câmara e do Senado.

* Ministros e auxiliares próximos a Dilma Rousseff encontraram um meio de conviver com as sempre temidas broncas presidenciais. O consolo é dizer que a presidenta só perde a paciência com quem tem importância dentro do governo.

*Em 16 de fevereiro, encerra-se o mandato de Claudio Fontelles, antigo procurador-geral da República, na coordenação da Comissão da Verdade. A discussão sobre o novo (ou nova) coordenador já ocorre nos bastidores da comissão. Cada mandato tem a duração de três meses.

Toma lá dá cá

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Senador Cristovam Buarque (PDT-DF), presidente da Frente Parlamentar de Apoio ao Programa Antártico Brasileiro, comprometido
pelo incêndio que destruiu a Estação Comandante Ferraz, em fevereiro de 2012.

ISTOÉ –
O orçamento de 2013 prevê R$ 29,8 milhões para o Proantar. Mas só a reconstrução da Estação Comandante Ferraz deve custar mais de R$ 100 milhões.

Buarque – É um desafio enorme. Queremos emendas parlamentares e pressões no Executivo para conseguir mais dinheiro.

ISTOÉ
– Entre senadores e deputados, mais de 170 parlamentares apoiam o programa. Deu resultado?

Buarque – Sim. A liberação de dinheiro para o Proantar atinge somas consideráveis. Essas emendas são liberadas mais facilmente do que outras.

ISTOÉ – Fazendo trocadilho, o programa não é uma fria?

Buarque – O programa dá prestígio ao Brasil. Governo e Congresso sabem que não podem permitir que as pesquisas realizadas se percam por falta de investimentos.

Bento XVI na mira do Planalto

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De olho nos principais eventos de 2013, o Planalto concluiu que a Copa das Confederações não é o único evento popular que merece atenção redobrada. O Encontro Mundial da Juventude, que deve reunir dois milhões de pessoas no Rio de Janeiro, e contará com a presença do Papa Bento XVI, também está na agenda como grande prioridade. Partindo do princípio de que momentos grandiosos sempre
podem dar errado, o Planalto revisa cada detalhe para evitar que um pequeno descuido se transforme num grande desgaste.

Fotos: ricardo stuckert/instituto lula; roberto castro/ag. istoé; Leonardo Prado; Thomas Kienzle/ap photo
Colaboraram: Adriana Nicacio e Izabelle Torres.


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