Edição nº2488 18.08 Ver edições anteriores

O grande vencedor

Ninguém sai tão forte das eleições quanto o prefeito “derrotado” Gilberto Kassab

Terminadas as eleições municipais, é hora de fazer contas e apontar vencedores. O PT foi o partido mais votado e, com a conquista de São Paulo, administrará a maior parte do orçamento municipal (R$ 77,7 bilhões). Venceu, portanto. O PMDB, com mais de mil prefeituras, manteve-se como maior partido brasileiro, honrando sua tradição. O PSB, com as 434 prefeituras que irá administrar, deu um bom salto. E a oposição, formada por PSDB e DEM, comemora sua reinserção no Norte e no Nordeste.

Todos esses fenômenos podem ser classificados como orgânicos, e o melhor exemplo é a evolução do PT a cada eleição, ou pendulares, como a volta do PSDB e do DEM a algumas capitais do Nordeste, com o destaque simbólico que merece a vitória de ACM Neto em Salvador, dado o peso do “carlismo” na tradição baiana. Mas, até aí, são apenas coisas naturais da política.

O que pode ser classificado como espetacular, no entanto, é o desempenho de Gilberto Kassab. Até ontem, ele era um prefeito com alta rejeição em São Paulo. Hoje, é “dono” de um partido com 494 prefeitos (o quarto maior do País), a maior taxa de vitórias nas eleições que disputou (45,5%), uma capital (Florianópolis), algumas “capitais do interior” (como é o caso de Ribeirão Preto), além dos dois governos estaduais (Amazonas e Santa Catarina), e quase 50 deputados federais. Com tudo isso, o PSD terá um gigantesco fundo partidário e também um ministério relevante em Brasília.

Kassab foi tão cordial nas primeiras aparições com Fernando Haddad que há até quem suspeite que ele tenha votado no candidato petista, e não no aliado José Serra. Todos os vereadores do PSD na Câmara Municipal já empenharam seu apoio ao futuro prefeito de São Paulo e Kassab já procura até uma casa em Brasília – ou seja, não esperou nem 72 horas para rezar a missa de sétimo dia de Serra.

Paradoxalmente, o partido de Kassab, que se posiona no chamado “centro responsável”, é hoje a maior ameaça tanto ao PT quanto ao PSDB. Ele pode tornar mais suave a articulação do governo Dilma Rousseff no Congresso, reduzindo o espaço de aliados mais desgastados, e também continuar com as portas abertas do “ônibus” para todos os oposicionistas dispostos a aderir à base aliada.
Kassab talvez não tenha sido o melhor prefeito do País nos últimos anos, mas foi, certamente, o melhor político. 


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