Cultura

As “irmãs” inéditas de fotos famosas

O livro "Magnum - Contatos" revela imagens que compõem a sequência de fotografias históricas - e que os autores preferiram não mostrar

As “irmãs” inéditas de fotos famosas

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Desde a invenção da fotografia, no século XIX, acontecimentos históricos raramente integram a memória coletiva sem que tenham suas imagens registradas. A Segunda Guerra Mundial, por exemplo, tem na sequência de 11 fotos feitas por Robert Capa, em 1944, durante o desembarque das tropas aliadas na Normandia, um de seus documentos mais dramáticos. E os outros 97 “cliques” que Capa produziu naquela manhã de 6 de junho? O que mostravam? Nesse caso, não se saberá jamais, pois o rolo de filmes se perdeu. Mas, na maioria das vezes, fotografias antológicas foram conseguidas junto com outras, feitas na mesma oportunidade. São esses registros desconhecidos de um mesmo fato, que no passado eram impressos no chamado “contato fotográfico” (uma folha de papel com todos os “disparos” dados pelo fotógrafo), que agora veem à luz no livro “Magnum – Contatos” (IMS).

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MESTRES
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Com 435 ilustrações, a publicação não traz apenas as melhores imagens da agência francesa Magnum, como os retratos de Salvador Dali (Philippe Halsman, 1948), Malcom X (Eve Arnold, 1961) ou Che Guevara (René Burri, 1963). Mostra também ao lado delas a série de “chapas” que as antecederam ou as sucederam. Ou seja: reconstitui todo contexto, lançando outra pergunta: por que o seu autor escolheu essa e não outra imagem? No caso do fotógrafo francês Raymond Depardon, que cobriu a queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, a opção pelo rapaz gritando se deu pelo “misto de liberdade, raiva e prazer” do retratado. Na sequência de 36 disparos, contudo, veem-se também crianças em meio às manifestações. A sucessão de imagens inventariadas pelo livro impressiona: vai do retrato do soldado alvejado em Leipzig (Robert Capa, 1945) até o ataque ao World Trade Center, visto do Brooklyn (Thomas Hoepker, 2001).

Fotos: RAYMOND DEPARDON/MAGNUM PHOTOS