Edição nº2488 18.08 Ver edições anteriores

Dúvidas para 2014

Dilma ou Lula? Aécio, Geraldo ou Eduardo Campos? Itaquerão ou Brasília?

As eleições municipais ainda não acabaram, muitas capitais terão segundo turno, mas agora o jogo é outro. Tanto na política como na economia. E o fato é que 2014 chegou bem mais cedo. Seja na antecipação dos cenários para a disputa presidencial, seja na urgência para os preparativos da Copa do Mundo.

Na política, Belo Horizonte assistiu a uma possível prévia da corrida presidencial, com o confronto entre Dilma Rousseff e o senador mineiro Aécio Neves. Mas nada assegura, a este momento, que os dois serão os nomes na urna eletrônica daqui a dois anos.

A primeira dúvida reside no próprio PT. Nas últimas semanas, o ex-presidente Lula tem sido sistematicamente agredido. O julgamento da Ação Penal 470, para efeito externo, marca seu governo com a mácula da corrupção e da compra de apoio parlamentar. Ocorre que, acima de um julgamento, existe a vontade popular. E há quem diga que Lula não esteja disposto a permitir que o Supremo Tribunal Federal escreva o último capítulo da sua biografia. Paradoxalmente, os que o agridem podem estar empurrando o ex-presidente para uma volta antecipada à arena política.

Com Dilma, o PT provavelmente teria uma vitória eleitoral mais suave e mais tranquila do que com a eventual volta de Lula. Mas já se escutam alguns murmúrios em Brasília de que a presidenta não teria paciência suficiente para encarar dois mandatos, tendo de lidar com a miudeza política. Um já seria o suficiente para inscrever seu nome na história. Nesse cenário, o Brasil repetiria o que ocorreu na Rússia, onde Dmitri Medvedev apenas esquentou a cadeira antes da volta de Vladimir Putin.

Na oposição, o quadro também não é claro. Aécio é o candidato natural, mas, no Planalto, comenta-se que ele seria forçado a disputar novamente o governo de Minas para preservar uma cidadela tucana. Há quem aposte ainda que Geraldo Alckmin será o adversário de Dilma ou Lula. E ainda existem aqueles que tentam cooptar Eduardo Campos, do PSB, para que o governador pernambucano antecipe seu projeto presidencial de 2018 para 2014, aliando-se a partidos como o PSD, o PMDB e o próprio PSDB.

Lula ainda é o dono da bola na política, mas cada vez menos na economia. Prova disso é o fato de projetos desenhados por ele estarem ameaçados. Para a abertura da Copa de 2014, o BNDES ainda não liberou os recursos para o estádio do Corinthians, em Itaquera, e o consórcio responsável pelas obras ameaça interrompê-las.

O governador Alckmin, que havia se comprometido a alugar 20 mil cadeiras da arquibancada para viabilizar o empreendimento, já ameaça tirar o corpo fora, enquanto Brasília corre por fora para abrir o Mundial. Deixar o Itaquerão inacabado seria também uma forma de enfraquecer Lula – o grande alvo da oposição organizada no País.
 


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