Edição nº2476 26.05 Ver edições anteriores

Tao de Modelo

Interagindo com bisnetos, fotógrafos, designers, estilistas e com quem quer que seja, uma mulher muito brasileira nascida na China ensina todos os dias o que há de mais importante para se aprender

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Se a palavra modelo fosse levada mais a sério, talvez Christine Yufon pudesse ser um verbete para traduzir o que, afinal, quer dizer este vocábulo tão judiado. Tendo desfilado e fotografado para algumas das mais importantes referências fashion do mundo, esta chinesa que viveu na França e se radicou em São Paulo nos anos 50 descobriu desde cedo que elegância tem mais a ver com miolo do que com casca.
Mas se fala muito sobre o lado glamouroso de madame Yufon. As revistas, sites, blogs de moda, todos querem contar os fatos da vida da mítica personagem sino-franco-brasileira que recusou Givenchy, ensinou etiqueta para mulheres da família Safra, abriu uma loja incrível nos anos 70, virou papisa dos acessórios com quase 80 anos e foi homenageada no SP Fashion Week em 2009. Mas, como ela mesma diz, “nada disso importa”. Segundo Christine Yufon, o que realmente importa é poder olhar para o outro com compaixão e amor. É saber que saímos todos do mesmo lugar – do útero de uma mulher –, que vamos todos morrer e, por isso, devemos viver a vida plenamente e sempre olhando para o copo meio cheio – nunca meio vazio. O que importa é ter quase 90 anos e ser uma pessoa leve, feliz, querida pelos amigos – muitos deles com idade para ser seus netos – rodeada pela família, ativa e espiritualizada. É saber que, por não se levar tão a sério, a gente tem a liberdade de se reinventar a cada dia. E isso nenhum passado de conquistas materiais ou sociais consegue garantir.

Hoje, já enxergando de perto a centésima década de vida, a trabalhadora compulsiva, mestre em expressão corporal, professora de etiqueta, escultora, poliglota e profunda conhecedora de moda, que transitou pelos mais distintos salões, continua repetindo seu mantra que cala fundo, seja qual for o interlocutor: “Nada disso importa…”

E, da conversa que segue, depreende-se que para ela o que faz sentido de fato é o amor e a capacidade de ser útil ao outro e não apenas a si próprio.

A torcida de quem interage com ela é para que esse tipo de visão entre definitivamente na moda. A foto que antecipamos aqui ao lado, é parte de um editorial que sairá apenas em outubro na “TPM”. A modelo Christine atuou com seu amigo, o talentoso stylist e criador de moda Dudu Bertholini, e foi fotografada pelo também brilhante Felipe Hellmeister.
 

Foto: Felipe Hellmeister/revista tpm


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