Cultura

A aventura tropical de Wim Wenders

O cineasta alemão, conhecido por fazer filmes em diversos países, registra no Brasil a obra de um artista viajante como ele: o fotógrafo Sebastião Salgado

A aventura tropical de Wim Wenders

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Wenders (acima) documentou os lugares onde Salgado (abaixo)
passou a juventude em Minas Gerais e no Espírito Santo

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Cineasta-viajante, o diretor alemão Wim Wenders já realizou filmes nos EUA, Japão, Austrália, França, Itália e Portugal. Agora finaliza um documentário feito no Brasil, centrado em um artista viajante como ele: o fotógrafo mineiro Sebastião Salgado, que se consagrou justamente documentando a vida, muitas vezes trágica, de figuras anônimas. Em “A Sombra e a Luz”, codirigido pelo filho do fotógrafo, Juliano Ribeiro Salgado, Wenders mostra como uma área devastada de Minas Gerais está dando lugar a uma nova floresta de Mata Atlântica. Trata agora de outro tipo de movimento, o dos sonhos. As cenas foram rodadas na fazenda do Instituto Terra, onde acontece o reflorestamento. Parte do projeto Gênesis, que inclui um livro e uma exposição sobre regiões intocadas pela civilização, o documentário será exibido no Rio de Janeiro e em São Paulo no ano que vem, mas antes deve participar do Festival de Cannes, na França, onde Salgado passa a maior parte do ano – sua agência de fotos fica em Paris.

Foi justamente na capital da França que Wenders viu-se apresentado ao fotógrafo, há três anos, quando surgiu a ideia do filme. Sua admiração por Salgado, no entanto, é antiga. O cineasta lembra que já nos anos 1980 adquirira o livro “Outras Américas”, uma das primeiras obras de seu agora retratado. “Faz mais de duas décadas que o trabalho de Sebastião Salgado me acompanha. Não conheço nenhum outro fotógrafo contemporâneo que me impressione tanto”, diz Wenders. Embora seja mais conhecido pelos filmes de ficção, entre eles “Paris, Texas” e “Asas do Desejo”, Wim Wenders tem importante produção documentária com indicação ao Oscar por “Buena Vista Social Club” e “Pina”. Como bom profissional do gênero, procura interagir com o universo que está registrando e o faz agora ao revisitar os lugares onde Salgado passou a juventude. Segundo Juliano, o alemão ficou encantado com a paisagem de Vila Velha, na Grande Vitória. Saiu igualmente impressionado após as filmagens em Aymorés, cidade mineira onde Salgado nasceu. “Estou feliz por ele ser um diretor que entende o trabalho de meu pai”, diz Juliano.  

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Fotos: Divulgação