Comportamento

Escoteiros contra gays

Organização americana proíbe a permanência de homossexuais na entidade. No Brasil, grupos homofóbicos também se organizam

Escoteiros contra gays

EXCLUSÃO

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EXCLUSÃO
Paulo Henrique foi humilhado pelo diretor do grupo de
escotismo quando ele descobriu sua opção sexual

Os escoteiros, aqueles jovens uniformizados conhecidos como sinônimo de bom comportamento, se tornaram alvo de uma discussão nada compatível com essa imagem. A Boys Scouts of America, organização americana conservadora que reúne escoteiros do sexo masculino, reafirmou sua política de exclusão de homossexuais com a decisão explícita de recusar a afiliação de gays como membros da entidade. A instituição anunciou que irá manter a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que, em 2000, legitimou a expulsão de um escoteiro gay sob a alegação de que a Boy Scouts of America é uma associação privada e, como tal, livre para decidir quais valores quer disseminar, mesmo que eles estejam baseados em preceitos preconceituosos e contrários aos direitos de igualdade. A decisão trouxe o tema da homofobia à tona e provocou polêmicas. Até porque o combate ao preconceito está previsto na própria Lei Escoteira (leia quadro).

No Brasil, entretanto, a atitude americana, que levou dois anos para ser tomada, não atingiu a União dos Escoteiros Brasileiros (UEB), única organização no País reconhecida pela Organização Mundial do Movimento Escoteiro. Embora haja registro de homofobia no histórico da instituição. “A instituição prega o respeito ao próximo, mas tudo o que tem na sociedade brasileira tem também no escotismo”, afirma Luiz César Horn, psicólogo e gerente da instituição. Um exemplo é o produtor de eventos paulista Paulo Henrique Tenalvez Vital, 33 anos, que há dez anos foi humilhado pelo diretor do grupo escoteiro ao qual pertencia. “Quando ele descobriu que eu era gay, convocou uma reunião, contou a todos e, pior, inventou que eu era garoto de programa”, afirma. Vital, entretanto, acha que hoje o caso seria tratado de forma diferente. Ele não levou a discriminação à Justiça, assim como outros conhecidos seus também não e, por isso, a UEB não contabiliza casos de homofobia dentro da organização.

Mas movimentos dissidentes se apropriam dos preceitos do escotismo para disseminar ideias homofóbicas. É o caso do grupo Guias & Escoteiros Católicos, do Rio Grande do Sul, cujo blog diz que os gays “são contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados”. O gerente da UEB lamenta a iniciativa. “Nossa proposta é educativa, não tem nada a ver com essas pessoas que destacam negativamente o nome do escotismo”, diz.

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