Tecnologia & Meio ambiente

Voo verde

Responsável por 2% dos gases do efeito estufa, indústria da aviação investe em pesquisa para ser mais limpa até 2050

Voo verde

MAIS RÁPIDO QUE O CONCORDE

01.jpg
MAIS RÁPIDO QUE O CONCORDE
Movido a biocombustível, hidrogênio e oxigênio, o ZEHST chegará
aos 5.000 km/h e fará o trecho Paris-Nova York em uma hora e meia

O setor de aviação tem pressa. E culpa. Responsável pela emissão de 2% dos gases que fazem da Terra um lugar mais quente, estabeleceu para si próprio o desafio de zerar a emissão de carbono até 2020. É uma estratégia digna de elogios do ponto de vista ambiental, mas que deve ser estimulada mais por aspectos econômicos. Os primeiros investimentos para que o planeta sofra menos com os aviões são uma amostra disso. A empresa aérea americana United Airlines consome 50 milhões de litros de querosene por dia, ao custo de US$ 35 milhões. “Ou US$ 25 mil por minuto”, diz Robert M. Sturtz, diretor da empresa. Os biocombustíveis têm sido apontados como um eficaz redutor de custos na hora de abastecer aeronaves. Por conta disso, empresas e centros de pesquisa no mundo todo passaram a apresentar alternativas.

03.jpg

Nas duas últimas semanas, a brasileira Azul e a holandesa KLM realizaram voos com biocombustíveis ocupando parte do tanque das aeronaves. A companhia nacional utilizou um composto à base de cana e fez o percurso entre Campinas e Rio de Janeiro. Os holandeses foram mais ambiciosos e protagonizaram o primeiro voo intercontinental com biocombustível, entre Amsterdã e o Rio. Em comparação com a Azul, a KLM aterrissou com um bônus ambiental. Desenvolvido desde 2007, o combustível que abasteceu sua aeronave levou óleo de cozinha usado na composição. Esse é um caminho parecido com o adotado pelo empresário e visionário britânico Richard Branson. Sua empresa aérea, a Virgin, desenvolveu com duas empresas europeias um biocombustível que tem na fórmula gases industriais que chegariam à atmosfera na forma de carbono. A companhia não trabalha só com essa possibilidade. “Quase 100% dos nossos lucros são destinados a pesquisas com biocombustíveis, que podem vir de usinas no Brasil”, disse Branson quando passou pela Rio+20.

 

04.jpg

Os automóveis inspiram ou­tro caminho possível para o avião sustentável. O Centro Aeroespacial Alemão (DLR) desenvolveu a aeronave Antares 3, que tem motores abastecidos com células de hidrogênio. O protótipo ainda não saiu do chão, mas os engenheiros alemães calculam que sua autonomia será de seis mil quilômetros, sem nada de poluição e pouco ruído. Bom mesmo no quesito silêncio é o Solar Impulse, avião movido pela força do Sol que no começo deste mês decolou de Madri e aterrissou em Marrocos, após um voo de 19 horas. Ainda falta muito para que esse tipo de aeronave encontre alguma viabilidade comercial. Para transportar apenas dois passageiros, precisa abrigar 12 mil células solares no alto de suas longuíssimas asas.

 

05.jpg

 

Um projeto que junta quase todas as ideias anteriores – só a energia solar fica de fora – é o ZEHST (transporte hipersônico com emissão zero, na sigla em inglês). E aqui a ambição é dupla: manter o céu livre de pegadas de carbono e ser mais rápido que Concorde e Tupolev, os únicos aviões de passageiros capazes de superar a velocidade do som. Com seus tanques cheios de biocombustível, hidrogênio e oxigênio, a aeronave voará a uma altitude de 23 quilômetros, chegará aos 5.000 km/h e fará o trajeto entre Paris e Nova York em cerca de uma hora e meia – um Boeing ou Airbus leva cerca de sete horas e meia. Pode transportar até 100 passageiros, 20 a menos que um Concorde, ao preço médio de US$ 6 mil por cabeça. O maior problema: um lugar nesse primeiro voo rápido e verde só deve estar disponível a partir de 2050.

02.jpg                  06.jpg

Fotos: Divulgação; MARCEL ANTONISSE/AFP Photo