Edição nº2488 18.08 Ver edições anteriores

Mão aberta, mão fechada

Ele toca a agenda política. Ela, a da gestão. Quem tem, portanto, jeito de candidato em 2014?

Já não se discute mais se a foto histórica do ex-presidente Lula, ao lado de Fernando Haddad e Paulo Maluf, foi uma bola dentro ou bola fora. O assunto transitou em julgado e parece haver um consenso: bola murcha total. Noventa e cinco segundos de tevê não valem tamanho desgaste. Em poucas horas, Haddad foi do céu ao inferno: começou a semana em alta no Datafolha e terminou sem vice na sua chapa, após a desistência de Luiza Erundina.

Mas o que há por trás da imagem é muito mais interessante. Quem, no PT, toca a agenda política? Com José Dirceu às voltas com o processo do mensalão e Antônio Palocci fora de combate, há um único general na ativa. E ele se chama Luiz Inácio Lula da Silva. É Lula, mais do que ninguém, quem pilota as articulações em todas as grandes capitais. São Paulo é um caso visível, assim como Recife, onde o PT, estranhamente, tenta impedir a reeleição do atual prefeito, João da Costa.

Lula é também o político que tenta curar as feridas abertas pela “faxina” da presidenta Dilma – um processo que não poupou nenhum dos partidos da base aliada, como PMDB, PCdoB, PSB, PDT e o próprio PP, de Paulo Maluf. Ao costurar novamente a aliança, abalada pelo estilo “mão fechada” de Dilma, Lula posa como o oposto: é ele o político “mão aberta”.

Sendo assim, quem mais se assemelha a um candidato presidencial em 2014: Dilma, que tranca o cofre, ou Lula, que oferece as chaves? Quem terá a preferência do sistema político? Ainda que ela tenha cedido ao pragmatismo, nomeando um aliado de Paulo Maluf na Secretaria Nacional de Saneamento, sabe-se que a decisão foi obra dele.

Ao ignorar as regras naturais e seculares da política, conduzindo uma gestão técnica e privilegiando sempre que possível o certo, em detrimento do malfeito, Dilma pode ter decidido governar apenas para a história – e não para a sua própria reeleição. Quatro anos e não oito.

O paradoxo é que esse estilo lhe rende uma popularidade incomum, superior à do próprio ex-presidente Lula. Em 2014, os partidos aliados deverão liderar a “revolta da faxina” e clamar pela volta dele, enquanto o povo poderá se dividir. A dúvida é saber se há ou não um acordo entre os dois. 


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